Sete toneladas no ar: Brasília ganha nova escultura monumental
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Brasília ganhou, na noite dessa terça-feira (25), uma nova presença monumental – e ela chegou flutuando. Cerca de 150 convidados passaram pelo SESI Lab, entre 19h e 22h, para a inauguração de A Queda de Atlas, instalação urbana do arquiteto e artista visual Anderson Schneider que desafia uma das certezas mais básicas da física: a de que sete toneladas de aço e concreto deveriam estar muito bem apoiadas no chão. Em vez disso, a gigantesca estrutura parece levitar, suspensa por finos cabos de aço. O resultado é daqueles que provocam um inevitável segundo olhar – e um certo tilt no cérebro, como define o próprio artista.
Com 13 metros de comprimento, cinco de altura e cerca de sete toneladas, a obra foi concebida a partir dos princípios da tensegridade, sistema estrutural baseado no equilíbrio entre forças de tração e compressão. Na prática, a geometria superior não repousa sobre pilares: ela fica pendurada por nove cabos de aço galvanizado ligados à estrutura inferior, criando a ilusão de que a gravidade foi invertida. A gigantesca forma geométrica triangular de aço corten (balanceada por concreto) transforma cálculo, engenharia e arquitetura em uma experiência visual que parece desafiar as próprias regras da matéria.
Mas é justamente quando se entende como ela se sustenta que a obra começa a revelar seu verdadeiro peso. O título faz referência ao mito de Atlas, o titã condenado por Zeus a carregar o céu eternamente. Na leitura de Schneider, a história ganha uma camada contemporânea: “O peso das responsabilidades, da produtividade, da cobrança por performance e da hiperconexão que marca a vida atual. O Atlas de hoje, portanto, não carrega apenas o firmamento. Carrega prazos, expectativas, contas, compromissos e a sensação permanente de que não pode deixar nada cair.”
E é aí que a obra dá sua melhor pirueta conceitual. Sob a massa monumental que parece prestes a desabar – mas não cai – há um balanço. O público é convidado a sentar, balançar e experimentar uma espécie de suspensão diante daquele peso todo. A instalação transforma a ameaça em brincadeira e a gravidade em leveza, propondo uma pausa diante daquilo que normalmente nos esmaga. “E se a gente fizesse amizade com os monstros que nos assustam?”, provoca Schneider.
A inauguração também teve um sabor especial para a família Brito, da Pinheiro Ferragens, que marcou presença em peso, capitaneada pela matriarca Letinha Brito. Pioneira de Brasília, ela, ao lado do marido, ajudou a colocar de pé inúmeras estruturas que hoje fazem parte da história da capital. Hoje, a empresa é comandada pelas filhas Janine, Jane e Janete. A participação da família nessa nova empreitada monumental é especialmente simbólica: foi a Pinheiro Ferragens quem doou o aço corten utilizado na confecção da obra. O encontro entre essa memória de Brasília e uma escultura que aponta para o futuro parece, portanto, quase inevitável.
Entre conversas, encontros e muitos celulares apontados para a escultura suspensa, a noite teve ainda projeções mapeadas e discotecagem por Alexandre Rangel e food trucks. O evento reuniu gente do universo empresarial, da arquitetura e do design, além de familiares, amigos e curiosos atraídos pela novidade. Afinal, não é todo dia que Brasília recebe uma obra de sete toneladas que parece querer escapar do chão.
E talvez esteja justamente aí a força de A Queda de Atlas: uma obra que fala sobre o peso do mundo sem colocar mais peso sobre quem a observa. Pelo contrário. Convida a parar, olhar para cima e, por alguns instantes, simplesmente balançar.
A instalação que chegou no mesmo dia da abertura noturna mensal do SESI Lab, no Setor Cultural Sul, onde permanece em exposição até o fim do ano. Em tempo, não deixe de seguir @aquedadeatlas no Instagram.






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