Sono, rotina e telas: como preparar crianças e adolescentes para o retorno às aulas
- Rodrigo Carvalho

- há 1 hora
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Para reduzir esse impacto, a coordenadora pedagógica dos Anos Finais do Colégio Católica Brasília, Maria Inês Aragão, explica que a readaptação precisa ser gradual, planejada e acolhedora, começando antes mesmo do primeiro dia letivo. “Após o período de férias, em que os horários ficam mais flexíveis e o uso das telas aumenta, é natural que os estudantes sintam dificuldade para retomar o ritmo escolar. Por isso, é importante que esse processo seja gradual, acolhedor e consciente”, afirma.
Um dos pontos centrais dessa reorganização é a rotina de sono. Dormir e acordar mais cedo, aos poucos, ajuda o corpo e a mente a se prepararem para o retorno às atividades escolares. “Dormir bem influencia diretamente na atenção, na memória, no humor e na capacidade de aprendizagem, especialmente porque o cérebro de crianças e adolescentes ainda está em desenvolvimento”, destaca Maria Inês.
A recomendação geral é que as famílias ajustem os horários noturnos, reduzam o uso de aparelhos eletrônicos no período da noite, evitando o uso após as 19h, e adotem hábitos que favoreçam o relaxamento, como a leitura antes de dormir.
Desmame tecnológico
Outro ponto de atenção é o chamado desmame tecnológico. Durante as férias, o tempo diante das telas tende a aumentar, o que pode impactar o foco e o engajamento escolar. “Recomendamos um desmame gradual dos eletrônicos, sempre por meio do diálogo e de combinados claros dentro de casa”, orienta a coordenadora.
Este ano a lei que proíbe o uso de aparelhos celulares no ambiente escolar completa um ano. A medida, esclarece a educadora, tem um objetivo pedagógico claro: favorecer a atenção, as interações presenciais e o processo de aprendizagem. Por isso preparar os estudantes para essa regra com antecedência contribui para uma adaptação mais tranquila e consciente.
Além dos ajustes de rotina, o diálogo é fundamental. Conversar com os filhos sobre a volta às aulas, ouvir inseguranças, apresentar os benefícios do retorno e demonstrar interesse pela rotina escolar ajudam a reduzir a ansiedade e fortalecem o vínculo com a escola. “Quando o estudante se sente ouvido e acolhido, ele se envolve mais, assume responsabilidades e se reconhece como protagonista da própria trajetória escolar”, conclui Maria Inês.










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