Telefone Preto 2 é tão chato quanto uma ligação de telemarketing
- Rodrigo Carvalho

- 13 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Por; Rodrigo Carvalho
Assisti Telefone Preto 2 e saí do cinema com aquela sensação de “podiam ter feito muito melhor”. A história se passa quatro anos após o primeiro filme, quando Finney (Mason Thames) foi sequestrado pelo temível Grabber (Ethan Hawke), um sequestrador de crianças que usa máscara de demônio, e as deixava em um porão onde existia somente um velho telefone preto (aquele modelo dos anos 80). Finney recebe ligações dos garotos mortos pelo assassino, e essas vozes acabam “ajudando” o garoto a sobreviver ao cativeiro. Também conhecemos sua irmã mais nova, Gwen (Madeleine McGraw), que manifesta uma espécie de paranormalidade: ela começa a ver, em sonhos fragmentados, onde o irmão está.
No primeiro filme, essa premissa já me pareceu exagerada, queria ser aterrorizante, mas acabava parecendo meio bobo. Então minhas expectativas para a sequência já não eram altas. Logo no início de Telefone Preto 2 me chamou atenção a inversão: o assassino agora está morto, mas ainda assim passa a ligar para o Finney, assim como suas vítimas. Finney, agora adolescente, lida com raiva e traumas do sequestro. Mas ao longo do filme, esse foco muda: a narrativa dá mais peso à Gwen. Ela começa a ter sonhos esquisitos com sua mãe (Chrissy Metz), e com três garotos desaparecidos em um acampamento onde sua mãe trabalhava como monitora. Com Finney e um amigo, Caleb (Jeremy Davies), ela decide visitar o local do acampamento para investigar, só que acabam presos lá por causa de uma nevasca. E aí o Grabber volta à cena, mas como fantasma, infernizando quem aparece pela frente.
A ideia poderia funcionar, o horror com um toque sobrenatural, mas a execução é falha. O filme se transforma numa mistura de Caça-Fantasmas com Sexta-Feira 13. O Grabber, como fantasma, machuca fisicamente quem ele quiser, aparece nos sonhos de Gwen, tudo lembra Freddy Krueger demais. Descobrimos que aquelas crianças, as primeiras vítimas, foram assassinadas pelo Grabber, e para ele perder o poder, os irmãos precisam encontrar os corpos. Mas tudo isso ocorre sob a égide do “acontece simplesmente porque sim”.
Há cenas que beiram o risível: em um momento, Finney pega a cabeça do fantasma e bate ela no chão e o espírito “morre”. Tem hora que o roteiro parece ter dado aula de como descambar para o absurdo. Os melhores instantes são aqueles em que o filme se despretende um pouco, quando ele relaxa e aceita ser “bobo horror”. Fora isso, o segundo filme é ainda mais problemático que o primeiro.
Quem gostou do primeiro pode até sair satisfeito, pois o segundo entrega mais do mesmo, mas quem, como eu, não curtiu o original provavelmente vai odiar essa continuação. Em resumo, eu não gostei de Telefone Preto 1, e o 2 consegue ser ainda pior.
NOTA: 📞










Comentários