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Tendências para o setor supermercadista: um guia para os desafios e oportunidades de 2026

*João Giaccomassi, diretor de produtos para Supermercados da TOTVS

 

Depois de um 2025 de evolução, o varejo supermercadista no Brasil encerra o ano com operações mais digitalizadas, maior integração de canais e melhor uso de dados. A inflação relativamente estável ajudou a sustentar volume, enquanto fidelidade e marcas próprias ganharam relevância. Foi também um período de preparação prática para a Reforma Tributária, e de avanço das categorias ligadas à saúde e bem-estar. Olhando para o horizonte, algumas tendências para 2026 se destacam no planejamento dos supermercadistas.

 

A adaptação à Reforma Tributária será um eixo operacional central, mas tratada com pragmatismo. As prioridades incluem revisão de NCMs e cadastros, parametrização de motores para IBS e CBS, simulações de impacto na formação de preço e readequação de promoções, além de integração com fornecedores e marketplaces para garantir consistência fiscal. A tendência é combinar governança de dados com automação e assistentes de IA que orientem times fiscais e de TI dentro do próprio ERP, que já estão disponíveis para apoiar os varejistas a manterem a conformidade fiscal.

 

A precificação inteligente seguirá como diferencial competitivo. Motores em tempo real combinarão custo, impostos, elasticidade, estoque e preço da concorrência, com simulações e testes A/B por cluster de loja. Durante a transição fiscal, o alinhamento entre regras tributárias, posicionamento de preço e comunicação será essencial para preservar a percepção de valor.

 

Em 2026, a aplicação de inteligência artificial no setor deve sair de uma fase de experimentação para atuar na prática em processos críticos. Modelos preditivos de demanda e ruptura, otimização de sortimento por loja, detecção de perdas via visão computacional e previsão de fluxo de checkout – que antes eram diferenciais – devem se tornar cada vez mais comuns no segmento.

 

Veremos um ano em que Agentes de IA e assistentes (copilotos) vão orquestrar tarefas de reabastecimento e precificação, cruzando elasticidade, estoque, concorrência, metas de margem e tributação para sugerir ou publicar preços em etiquetas eletrônicas com supervisão humana, além de recomendar ordens de compra e ajustar planogramas em tempo real.

 

Já no atendimento, assistentes conversacionais em app e de conversas instantâneas darão suporte com contexto de histórico e preferências, enquanto copilotos internos ajudarão equipes de loja. Tendências internacionais reforçam esses ganhos de eficiência e experiência.

 

A experiência omnichannel deve evoluir para jornadas contínuas com estoque unificado, promessas de entrega confiáveis, retirada expressa, scan & go e devoluções sem fricção. Um aplicativo proprietário pode ser um importante hub da relação, concentrando compra, carteira, benefícios personalizados, conteúdo de saúde e serviços como assinaturas de cestas por objetivos nutricionais.

 

No sortimento, o foco em saúde e bem‑estar continuará a puxar demanda. Ganha espaço o consumo de proteínas de alta qualidade, iogurtes e bebidas fermentadas com probióticos, fibras e produtos funcionais voltados a energia, foco e imunidade, com curadoria clara de benefícios e rotulagem responsável. Produtos plant-based seguem em expansão, com ênfase em sabor, conveniência, preço competitivo e integração a receitas e cross-merchandising. Relatórios globais sustentam o crescimento desses nichos e devem orientar a inovação e a gestão de categorias.

 

Em 2026, quem unir uma adaptação tributária bem governada com apoio de IA, agentes e assistentes operacionais, precificação inteligente, omnichannel sem atrito, e uma proposta robusta em saúde e bem-estar, deverá capturar crescimento sustentável. O desafio será transformar dados e automação em valor percebido no carrinho, na loja e no app, com simplicidade, transparência e confiança.

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