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Toda empresa quer IA na educação corporativa, mas não querem saber se as pessoas aprendem

há 1 dia
3 min de leitura

Quase nenhuma reunião de RH, universidade ou trabalho, termina sem alguém dizer que "precisamos de IA", mas segundo estudo encomendado pela AWS, plataforma de computação em nuvem da Amazon, 50% das empresas brasileiras já usam inteligência artificial, contra 40% em 2025. Com somente 15% em estágio avançado, a maioria ainda usa essa tecnologia para ganhos pontuais de eficiência.

Enquanto isso, uma disciplina mais antiga e menos charmosa tenta responder à pergunta que toda organização deveria fazer: o que as pessoas estão aprendendo, o que não estão e por quê? É o Learning Analytics, a análise dos dados de aprendizagem. Tem mais de uma década de pesquisa e casos documentados, e o mercado quase não a adotou.

O sintoma está nos números

Na pesquisa Panorama 2026, da Amcham - Câmara Americana de Comércio para o Brasil, 59% das empresas usam IA em atendimento ao cliente, mas só 29% em RH. Já o relatório TalentLMS 2026 mostra que apenas 37% avaliam o aprendizado pelo impacto no negócio. As inciativas de Learning Analytics nas companhias ainda são pequenas e isoladas.

Por que a IA vende e o analytics não

A diferença é mais psicológica que técnica, já que a IA generativa entrega algo visível em minutos, criando cursos e respondendo dúvidas, ela é uma vitrine. Já o analytics entrega um espelho, e espelho incomoda, porque a empresa descobre que o treinamento que quase todos concluíram não mudou nada, ou que o aluno que abandonou dava sinais semanas antes. É mais confortável exibir horas de treinamento e nota de satisfação, métricas que sobem sempre e quase nunca respondem ao que importa. E enquanto a IA entrega respostas, o analytics entrega perguntas e exige alguém com autoridade para agir.

Quem adotou Learning Analytics?

Um levantamento da Watershed, plataforma de software e inteligência artificial, feito com com líderes de aprendizagem, mostrou que 66% citam entre os principais usos do analytics avaliar a experiência do colaborador e 59% os relatórios de compliance, mas só 39% cruzam aprendizado com indicadores de negócio. Em pesquisa mais recente, com 241 profissionais, 98% dizem querer medir o impacto do aprendizado, e só 14% têm analytics avançado.

Onde o dado de fato mudou resultado, havia um problema caro e alguém com poder de agir. O caso mais documentado vem das universidades, onde a Georgia State, nos EUA, criou alertas diários com mais de 700 sinais de risco e viu a graduação subir seis pontos percentuais desde 2013. Mas para isso, contratou 42 orientadores no mesmo período. Mostrando que o dado apontou quem precisava de ajuda, mas foram pessoas que ajudaram.

A lição que fica é: analytics também precisa provar que funciona.

IA e dados de aprendizagem não competem

IA e Learning Analytics dependem uma da outra. Recomendar conteúdo só funciona se alguém souber o que cada pessoa já domina. Sem dados, a IA vira gerador de conteúdo genérico, só que mais rápido. Sem IA, o analytics vira uma planilha elegante que ninguém abre.

É fácil se encantar com painéis bonitos, mas dashboard não é resultado. Resultado é uma decisão que mudou por causa do dado. Antes de assinar qualquer contrato, faça três perguntas: que decisão vai mudar com essa informação? Quem vai agir quando o dado apontar um problema? Como saberemos, daqui a um ano, se funcionou?

O barulho da IA vai passar e deixar a tecnologia que resolveu algo real. Chegará com vantagem no mercado quem tiver aprendido a medir o que as pessoas aprendem.

Sobre Vinicius Arakaki

É cofundador e diretor da Edusense, mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital pela PUC-SP e empreendedor no setor de EdTech desde 2007, início de sua trajetória ao fundar sua primeira empresa focada em e-learning. Além disso, fundou a Edusense em 2018.


Sobre a Edusense

Fundada em 2018 e adquirida pelo DOT Digital Group no final de 2025, a Edusense é uma unidade de negócio do DOT com plataforma de aprendizagem focada em gestão de carreira. Reconhecida como referência no setor, é tricampeã na categoria Edtech da 100 Open Startups, o maior ranking de startups da América Latina, foi eleita uma das 100 Startups to Watch pela PEGN e Época Negócios e campeã da etapa brasileira do GESAwards, a maior competição global de edtechs, alcançando a final entre mais de 8.000 empresas de 135 países.

A plataforma da Edusense adota uma abordagem adaptativa ao ensino e aprendizagem, integrando inteligência artificial e análise de dados para personalizar experiências e atender às necessidades individuais de cada usuário. Além disso, oferece recursos avançados como gamificação, social learning, ferramenta de autoria, learning analytics, mobile learning e uma base de conhecimento, permitindo que cada cliente implemente sua própria estratégia educacional com autonomia e eficiência.

Com um DNA inovador, a Edusense está sempre em busca de novas tecnologias e metodologias para potencializar o aprendizado e impulsionar o desenvolvimento de pessoas e negócios. Além disso, conta com mais de 100 clientes ativos em todo o país. Saiba mais em www.edusense.com.br


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