top of page

Transplante de Medula Óssea: referência na área, Hospital Santa Lúcia passa a realizar o TMO alogênico

  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

O Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS) alcançou mais um avanço estratégico para a saúde do Distrito Federal e de toda a região Centro-Oeste. A instituição acaba de receber a autorização oficial para a realização de Transplante de Medula Óssea (TMO) alogênico. A nova habilitação expande o escopo de atuação do Centro de Referência em TMO da unidade, permitindo que o hospital ofereça uma abordagem terapêutica ainda mais completa para pacientes com patologias onco-hematológicas graves.



A chegada da modalidade alogênica cumpre um papel importante, ao evitar que os pacientes necessitem migrar para outras redes hospitalares ou cidades para concluir as etapas mais complexas de seus tratamentos. De acordo com o hematologista Dr. Rodolfo Kameo, coordenador de Transplante de Medula Óssea do Hospital Santa Lúcia, a autorização consolida o compromisso da instituição com a assistência de ponta.



"Oferecer uma nova modalidade de tratamento aos nossos pacientes é mais um passo na nossa missão de cuidado integral ao paciente, em todas as etapas, para evitar que ele precise se deslocar até outro centro para concluir seu tratamento”, enfatiza o médico.



Em todo o Brasil, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), 3.993 transplantes de medula óssea foram realizados em 2025, com 194 deles no Distrito Federal. Do total, 113 foram autólogos, 47 alogênicos aparentados, 9 alogênicos não aparentados, 24 alogênicos desconhecidos e 1 sem modalidade.



TMO autólogo e alogênico: qual é a diferença?



O Hospital Santa Lúcia Sul já tem um histórico consolidado na execução do transplante autólogo, destacando-se como uma das poucas unidades do DF com estrutura para realizar todas as fases do processo (coleta, processamento, congelamento, armazenamento e reinfusão) no mesmo centro.



A expansão para o transplante alogênico expande a diversidade de tratamentos oferecidos devido à origem das células-tronco e às indicações clínicas:


  • TMO Autólogo (já realizado): utiliza as próprias células-tronco hematopoéticas do paciente, coletadas e armazenadas previamente. É uma estratégia indicada para o tratamento em primeira linha de mieloma múltiplo e alguns tipos de linfoma.

  • TMO Alogênico (recém-autorizado): as células-tronco provêm de um doador, que pode ser aparentado (familiar) ou não aparentado (localizado por meio de registros de doadores). Esta modalidade exige um processo complexo de compatibilidade genética baseado no sistema HLA (antígenos leucocitários humanos).


Cura para leucemias agudas



Enquanto o transplante autólogo funciona como um suporte para permitir quimioterapias mais intensivas em mielomas e linfomas, no TMO alogênico, células-tronco hematopoéticas de um doador saudável são transplantadas e reconstituem a hematopoese (processo de formação, desenvolvimento e maturação das células do sangue) e o sistema imune do receptor. Além disso, células imunológicas do doador podem contribuir para a eliminação de células malignas remanescentes.



Na população adulta, as principais indicações para essa nova modalidade são as leucemias agudas e as mielodisplasias de alto risco. "A indicação mais comum de TMO alogênico, na população adulta, são as leucemias agudas e as mielodisplasias de alto risco", ressalta o Dr. Rodolfo Kameo. "É uma estratégia importante de tratamento, pois, em alguns casos, o TMO alogênico é a única chance de cura do paciente."



A complexidade logística e biológica desse procedimento exige o cruzamento de dados com redes estruturadas. O Brasil se destaca globalmente nesse cenário, detendo o terceiro maior banco de medula óssea do mundo por meio do REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), que conta com cerca de 6 milhões de voluntários cadastrados. O amplo volume de doadores é essencial, já que a probabilidade de localizar um doador compatível fora do núcleo familiar é estatisticamente baixa.



Exigências clínicas



O processo de credenciamento junto aos órgãos reguladores para a realização do TMO alogênico impõe critérios técnicos. Para obter a autorização, a legislação exige que a instituição comprove uma experiência prévia mínima de dois anos na execução do transplante autólogo, cumprindo um volume mínimo anual de procedimentos. O Centro de Referência em TMO faz parte dos investimentos contínuos em alta complexidade realizados pelo Grupo Santa.



"É obrigatório ter credenciamento para TMO autólogo antes de fazer o alogênico. Isto serve exatamente para preparar a equipe e a estrutura do hospital, já que o TMO alogênico é mais complexo e requer uma equipe multiprofissional capacitada para todo o processo”, explica o Dr. Kameo.



O transplante alogênico exige, por exemplo, tecnologias específicas de isolamento biológico para proteger o paciente imunossuprimido, como a instalação de sistemas de climatização com filtro HEPA (High Efficiency Particulate Air), capazes de remover partículas microscópicas suspensas no ar e reduzir a exposição a agentes infecciosos.



“O transplante de medula óssea é um procedimento que pode ter riscos. Por isso, é fundamental termos uma estrutura hospitalar de ponta e equipe multiprofissional treinada e especializada para mitigarmos os riscos”, observa o médico.



A diretora assistencial e de experiência do paciente do Grupo Santa, Noângela Nascimento, enfatiza que a rede alia tecnologia de ponta a um cuidado humanizado no Transplante de Medula Óssea (TMO). “Contamos com uma estrutura especializada para atender pacientes de alta complexidade e uma equipe multiprofissional experiente, formada por médicos, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais que atuam de forma integrada”, destaca. “Mais do que oferecer excelência técnica, nosso compromisso é acolher pacientes e familiares em cada etapa da jornada, com segurança, cuidado individualizado e apoio contínuo."

Comentários


© 2025 por Rodac Comunicação Criativa

bottom of page