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Verdade Moldada: a tradição dos pés de lótus às amarras contemporâneas

  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

A artista nipo-brasileira Akimi Watanabe, radicada em Brasília e filha de pioneiros japoneses na capital, apresenta a exposição Verdade Moldada, na qual utiliza a história dos “pés de lótus” — prática milenar chinesa que mutilava mulheres em nome de um ideal de beleza — como ponto de partida para um questionamento urgente: até que ponto seguimos permitindo que estruturas sociais moldem os corpos e as escolhas femininas? O olhar sensível e provocador da artista sobre essas questões será apresentado a partir de 9 de abril, às 19h, no Espaço Oscar Niemeyer.

A partir desse recorte histórico, a artista evidencia como, na China imperial, um complexo sistema de valores culturais, filosóficos e econômicos, associado a status e elegância, submetia meninas a dores extremas e a uma vida limitada. Um processo que as transformava, literalmente, em objetos decorativos. A reflexão proposta, no entanto, ultrapassa o passado e se projeta sobre o presente.

Ao longo de quatro anos, Watanabe se dedicou a estudar e pesquisar o tema, resultando em uma produção artística robusta. Através de 100 desenhos em nanquim sobre algodão, 5 colagens digitais, 3 instalações, 60 desenhos em nanquim sobre papel, além de objetos e esculturas, ela constrói uma narrativa sensível e provocativa que convida o público a refletir: “até quando a validação social seguirá sendo parâmetro para transformações do corpo? Em que medida ainda nos moldamos para caber, para pertencer, para sermos vistos?

A exposição, que conta com a curadoria de Rogério Carvalho, propõe um deslocamento do olhar, instigando o público a identificar os mecanismos contemporâneos que reproduzem, sob novas formas, antigas violências simbólicas. Redes sociais, padrões estéticos, discursos normativos e dinâmicas de pertencimento passam a ser observados como possíveis equivalentes dos “pés de lótus” da pós-modernidade.

Ao tensionar essas camadas, a artista aponta para uma distopia silenciosa: a crença na autonomia individual dentro de sistemas sutis de controle. Nesse contexto, ecoa a afirmação da ministra do STF, Cármen Lúcia — “não fomos silenciosas, fomos silenciadas” — reforçando que o corpo da mulher segue sendo território de disputa histórica, social e simbólica.

Mais do que revisitar um episódio do passado, Verdade Moldada se apresenta como um convite à consciência crítica: "É um exercício de percepção sobre as forças que, ainda hoje, influenciam, limitam e redefinem quem somos", pontua Akimi.

 

SERVIÇO

Exposição: Verdade Moldada

Artista: Akimi Watanabe

Local: Espaço Oscar Niemeyer

Data: de 9 de abril a 12 de maio

Horário: De terça a sexta — das 9h às 18h/ Sábado domingo — das 9h às 17h


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