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Órteses ampliam o desenvolvimento e a independência de crianças em reabilitação

  • há 1 hora
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As órteses são dispositivos terapêuticos utilizados para proteger, estabilizar, posicionar ou favorecer a função de segmentos corporais. Na reabilitação infantil, podem contribuir para a prevenção de deformidades, a manutenção da amplitude de movimento, o alinhamento biomecânico e a melhora do desempenho funcional.

Mais do que um dispositivo de suporte, a órtese pode favorecer a participação da criança em atividades próprias da infância, como brincar, desenhar, escrever, alimentar-se e explorar o ambiente. Quando indicada e confeccionada de acordo com as necessidades individuais, pode integrar o plano terapêutico e contribuir para a autonomia e a qualidade de vida.

A reabilitação infantil envolve a atuação integrada de diferentes profissionais da saúde, com objetivos definidos a partir das características clínicas, capacidades funcionais e demandas de cada paciente. Nesse contexto, a indicação de recursos ortóticos deve considerar aspectos motores, musculoesqueléticos e funcionais, além da rotina e das atividades realizadas pela criança.

A fisioterapeuta Rafaela Campos, diretora multiprofissional da Affect Centro Clínico e Educacional, clínica especializada no acompanhamento de crianças com doenças raras, transtorno do espectro autista (TEA) e outras condições do neurodesenvolvimento, em Goiânia, explica que as órteses podem ser indicadas em diferentes condições neurológicas e ortopédicas.

Segundo Rafaela, na infância, a indicação exige acompanhamento criterioso devido ao crescimento e às mudanças próprias do desenvolvimento. “O posicionamento adequado pode contribuir para a manutenção da mobilidade, a proteção das estruturas musculoesqueléticas e a organização dos segmentos corporais, favorecendo atividades como brincar, desenhar, escrever e manipular objetos”, afirma.

A fisioterapeuta ressalta ainda que o recurso pode ter relevância no acompanhamento de crianças com síndromes raras, que podem apresentar alterações como hipotonia, espasticidade, fraqueza muscular, retrações musculares, deformidades articulares e dificuldades no controle motor.

“Nessas situações, a órtese pode auxiliar na proteção das estruturas musculoesqueléticas e proporcionar condições mais adequadas para o movimento e para a realização das atividades de vida diária”, acrescenta.

Na Affect Centro Clínico e Educacional, a avaliação, indicação e confecção individualizada de órteses também fazem parte da atuação da terapeuta ocupacional Adriana Paraguassu, integrante da equipe da clínica. O trabalho começa com uma avaliação das necessidades funcionais do paciente e dos objetivos terapêuticos. Quando há indicação, o dispositivo é moldado e confeccionado sob medida, considerando aspectos como alinhamento, posicionamento, amplitude de movimento, conforto, mobilidade e função.

“Cada criança apresenta necessidades específicas. Avaliamos quais movimentos precisam ser favorecidos, quais estruturas necessitam de proteção e de que forma o recurso pode contribuir para o desempenho ocupacional. A partir dessa análise, realizamos a moldagem e a confecção personalizada, acompanhando a adaptação ao longo do tratamento”, explica Adriana.

De acordo com a terapeuta ocupacional, em pacientes com redução ou ausência de movimentação ativa, o recurso pode favorecer o posicionamento do membro superior e oferecer melhores condições para o uso funcional da mão em atividades como brincar, alimentar-se e desenhar.

“Cada órtese é planejada de acordo com as características anatômicas e funcionais do paciente. Por isso, não existe um modelo universal que atenda a todas as crianças ou condições clínicas. A personalização é fundamental para que o dispositivo cumpra adequadamente sua finalidade terapêutica”, salienta.

Adriana reforça que o acompanhamento periódico é necessário, especialmente durante a infância. O crescimento pode modificar o posicionamento corporal, a amplitude de movimento e as demandas funcionais, tornando necessários ajustes ou a substituição do dispositivo.

“A órtese não substitui a terapia. Ela é um recurso complementar inserido em um plano terapêutico mais amplo, com o objetivo de favorecer o desempenho ocupacional, a participação e a autonomia. O foco está em criar condições para que a criança consiga realizar suas atividades com maior segurança e eficiência”, observa.

Para a terapeuta ocupacional, a integração entre Terapia Ocupacional e Fisioterapia amplia as possibilidades de intervenção, associando o trabalho sobre movimento, posicionamento e estruturas musculoesqueléticas às demandas funcionais e ocupacionais da criança.

“Quando as diferentes áreas trabalham de forma integrada, conseguimos relacionar o recurso ortótico às situações reais da rotina. Segurar um lápis, alcançar um brinquedo, levar um alimento à boca ou participar de uma brincadeira são atividades que demonstram como um ganho motor pode repercutir diretamente na participação e na autonomia”, afirma Adriana.


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