A cultura brasileira abre espaço para novos negócios
Como grande parte dos empresários Brasil afora, minha trajetória foi marcada por erros, acertos, recomeços e uma infinidade de vivências. Comecei empreendendo ainda jovem, trabalhei com mídia e publicidade, projetos culturais, eventos corporativos, consultoria em gestão e comércio eletrônico. Ajudei a estruturar diversas empresas e fomentar parcerias. Também passei por projetos que não seguiram adiante como eu imaginava, mas que moldaram minha maneira de enxergar oportunidades e lidar com os riscos.
Mas em todas essas situações, minha motivação sempre foi a mesma: uma certa inquietação por buscar a próxima ideia inovadora e atuar como um idealizador, que une as pessoas certas e a estrutura necessária para transformar uma possibilidade em um resultado concreto.
Essa mesma inquietação talvez explique minha identificação com o live marketing. Poucos setores traduzem tão bem a intensa transformação que estamos vivendo. Em um ambiente de disputa permanente pela atenção, o diferencial está cada vez mais na capacidade de criar experiências realmente surpreendentes, que envolvam, provoquem emoções e permaneçam na memória. Mesmo durante períodos extremamente desafiadores.
A LIVEIDEA foi fundada em 2020, em meio às incertezas provocadas pela pandemia. Euvinha trabalhando com eventos corporativos e tinha cerca de 40 já programados para aquele ano. Todos foram cancelados praticamente de uma só vez. Como já conhecia de perto os problemas e gargalos desse mercado, comecei a pensar em uma solução, que foi criar uma agência BPO, responsável pela reorganização desses eventos, fluxos e aprovações, tendo como primeiro cliente o Grupo EMS, líder no mercado farmacêutico nacional.
Deu muito certo e, daí em diante, começamos a expandir a atuação, com a realização de centenas de convenções, ativações de marca, feiras e congressos, premiações, trazendo soluções inovadoras, com planejamento estratégico, design criativo e execução impecável. Após quatro anos de êxito, era hora de buscar a próxima inovação e territórios ainda pouco explorados em live marketing.
Van Gogh, Monet e Michelangelo eram destaque em exposições imersivas em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil. Quando comecei a visitar essas experiências, aqui e no exterior, uma questão passou a me incomodar: por que não víamos nada assim destacando nossos artistas? E assim nasceu a aspiração de unir tecnologia de ponta e o nosso patrimônio cultural, com a primeira exposição imersiva de um artista brasileiro.
Tarsila do Amaral foi uma escolha quase natural para essa primeira empreitada. Uma das artistas brasileiras mais conhecidas do mundo, teve papel decisivo na consolidação de uma linguagem artística ligada à identidade do país. Naquele momento, talvez não tivéssemos a dimensão exata da complexidade do projeto. Mas da ideia à abertura da exposição, foram dois anos de trabalho intenso.
Mais do que projetar imagens em grandes superfícies, o desafio foi construir uma experiência fundamentada em curadoria, contexto histórico e sensibilidade. A tecnologia, quando utilizada isoladamente, pode produzir impacto visual, mas quando está a serviço de uma narrativa consistente, é instrumento de educação, conexão entre diferentes gerações e transformação social.
Queríamos apresentar a obra e a trajetória de Tarsila de uma forma que o público pudesse vivenciar suas escolhas, inquietações e o contexto que deu origem às cores e formas predominantes em cada criação. O resultado foi a realização da maior exposição imersiva já feita sobre a artista, com mais de 10 salas dedicadas a cerca de 40 obras, incluindo as icônicas Abaporu, Antropofagia, A Cuca e Operários, além de instalações interativas e efeitos especiais.
A realização de Tarsila nos abriu um novo caminho que nem sequer havíamos imaginado: a cultura brasileira como território poderoso de inovação em live marketing. E nossa inquietação permanente já nos leva para o próximo projeto em gestação: Amazônia, em uma exposição imersiva ainda mais ambiciosa e complexa, reunindo biodiversidade, conhecimentos ancestrais e expressões artísticas dos povos originários, além da preservação ambiental. Temos a chance de contar a história desse nosso legado de uma forma surpreendente, aqui e no mundo.
Essa perspectiva abre também novos horizontes para as empresas e suas marcas, onde o live marketing ganha um papel ainda mais estratégico para a reputação e o propósito social de gerar valor positivo para a sociedade. Ao apoiar projetos que transformam a memória cultural brasileira em experiências contemporâneas, elas ajudam a ampliar e democratizar o acesso a esse patrimônio e manter sua relevância para novas gerações.
*João Giani Vasconcellos é sócio-fundador da LIVEIDEA, agência brasileira de marketing 360° e live marketing





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