A IA acelerou a publicidade farmacêutica, mas quem revisa tudo isso?

A inteligência artificial promete reduzir o tempo de produção publicitária. Mas, à medida que as agências conseguem desenvolver mais materiais em menos tempo, surge um novo desafio: garantir que a velocidade da criação seja acompanhada pelo rigor da revisão. Na comunicação farmacêutica, em que informações precisam ser precisas e respeitar regras específicas, essa equação ganha importância ainda maior.
A Quadra Creative Space, agência fundada por Amanda Brunholi e Ayrllys, percebe esse paradoxo na própria operação. A tecnologia já participa de diferentes etapas dos projetos, da organização de briefings à busca de referências visuais e à criação de materiais. Ao mesmo tempo que agiliza tarefas, a IA permite absorver mais demandas, ampliando o volume de entregas que precisam passar por avaliação humana.
O desafio, segundo os sócios, é evitar que o ganho de produtividade comprometa o tempo dedicado à análise crítica e à validação dos conteúdos: “em um projeto de comunicação farmacêutica, a equipe identificou, durante a revisão, que um texto produzido com apoio de IA apresentava uma afirmação mais abrangente do que as evidências científicas permitiam sustentar. O conteúdo foi corrigido antes de avançar para aprovação, evitando uma possível confusão”, explica Amanda.
O episódio ilustra um limite importante da tecnologia: a qualidade da redação não garante a precisão da informação. Em saúde, uma mudança aparentemente pequena na linguagem pode alterar a interpretação de uma mensagem e criar expectativas inadequadas.
Por isso, a Quadra não delega à inteligência artificial decisões relacionadas à segurança do paciente, à interpretação de evidências científicas ou à aprovação final de conteúdos e alegações sobre medicamentos. A ferramenta pode apoiar a elaboração de materiais, mas a avaliação crítica precisa permanecer com profissionais qualificados.
O cuidado começa antes mesmo da criação: “é preciso respeitar as regras internas de cada cliente e, quando o briefing envolve um produto ainda não aprovado, evitar utilizar agentes de IA nas reuniões. Nossa orientação é que a adoção da tecnologia considere o contexto, a confidencialidade e as exigências específicas de cada projeto”, afirma Ayrllys.
O risco de produzir imagens cada vez mais perfeitas
Além dos textos, a geração de imagens oferece ganhos de agilidade na busca por referências e no desenvolvimento de conceitos visuais. Mas, em projetos ligados a procedimentos estéticos, a Quadra alerta para o risco de a busca pela perfeição reforçar padrões irreais de beleza: “imagens sem rugas, marcas naturais ou diferenças corporais podem associar juventude a saúde e bem-estar, reforçando estereótipos e o etarismo. Para reduzir esse risco, aqui buscamos referências de pessoas reais em determinados projetos e utilizamos a IA quando não houver impacto direto à imagem que desejamos construir”, lembra Amanda.
A tecnologia também pode ampliar a diversidade de representação, desde que a direção criativa considere diferentes idades, corpos e características. Para isso, a Quadra defende que o uso de IA seja acompanhado de critérios claros, conhecimento do setor e revisão das imagens antes da publicação.
A tecnologia não substitui a estratégia
Para Amanda e Ayrllys, a inteligência artificial também evidencia a importância de um briefing bem construído: “quando uma marca pede apenas uma peça semelhante a uma referência encontrada nas redes sociais, o resultado pode reproduzir soluções que outras empresas já estão utilizando”, lembram os sócios.
Para eles, o ponto de partida deve ser a compreensão do problema que a comunicação precisa resolver. A partir daí, a IA pode ampliar as possibilidades de execução, mas não substitui a experiência e o julgamento profissional necessários para definir a direção do trabalho.
“Na comunicação farmacêutica, e acreditamos que em outras também, o desafio vai além de produzir mais rápido. É fazer com que o aumento da capacidade de criação venha acompanhado de processos de revisão capazes de preservar a precisão científica, a responsabilidade das mensagens e o respeito às pessoas representadas”, finaliza Amanda.
Saiba mais: https://quadracs.com.br





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