Eventos climáticos extremos aumentam riscos à instalação elétrica residencial, alerta especialista

Com a chegada da primavera, aumenta a frequência de temporais, raios e picos de tensão, e as instalações elétricas das casas passam a ser testadas por esses eventos. Em Minas Gerais, a Cemig contabilizou mais de 2,47 milhões de raios no período chuvoso 2025/2026, contra cerca de 1,58 milhão no período anterior, uma alta de cerca de 56%. Em 13 de outubro, um temporal atingiu Belo Horizonte e deixou parte da cidade sem energia, segundo o portal Moon BH. O risco para o morador vai além da falta de luz: uma descarga na rede pode gerar um surto de tensão capaz de queimar eletrodomésticos e roteadores.
O que um raio faz dentro de casa
Nem sempre o raio precisa cair na casa para causar dano. Quando atinge a rede de distribuição, um poste ou o solo nas proximidades, a sobretensão se propaga pelos fios e chega às tomadas. Por isso, o prejuízo costuma aparecer em aparelhos ligados, mesmo sem sinal de raio no terreno.
A própria Cemig alerta que a proteção da rede elétrica não elimina todos os riscos dentro das residências, e orienta o consumidor a desconectar equipamentos da tomada antes da chuva e dos raios. A proteção interna da casa, portanto, depende da instalação de cada morador.
Proteção contra surtos e aterramento
O Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS) é um componente instalado no quadro de distribuição que desvia o excesso de tensão para o aterramento antes que ele alcance os equipamentos. Sem um aterramento bem executado, porém, o DPS não funciona como deveria.
"O DPS comum depende do aterramento para cumprir a função dele. Se o aterramento está ausente, antigo ou mal feito, o surto não consegue ser desviado para terra e acaba passando pela instalação e pelos aparelhos", explica Fellipe Ramon, engenheiro eletricista e supervisor de ensino da escola da Loja Elétrica.
Segundo ele, o dimensionamento do DPS deve considerar o tipo de instalação, o padrão de entrada de energia e os equipamentos mais sensíveis da casa, o que exige avaliação de um profissional habilitado.
Atenção às áreas externas
Instalações em áreas externas, como iluminação de jardim, portões eletrônicos, bombas de piscina e pontos de tomada em varandas e garagens, ficam mais expostas à umidade e à descarga. Em temporais, a água infiltrada em conexões mal vedadas pode causar fuga de corrente e curto-circuito.
"Em área externa, o cuidado com a qualidade e com a vedação dos materiais aumenta, devendo sempre utilizar a proteção adequada dos dispositivos, garantindo a segurança de quem circula ali, principalmente com o solo molhado", afirma Ramon.
Cuidados antes e durante a tempestade
Há medidas simples que reduzem o risco no dia a dia, sem substituir a avaliação técnica da instalação:
Verificar se a casa tem DPS no quadro de distribuição e se o aterramento foi executado por profissional habilitado;
Desligar da tomada equipamentos sensíveis, como computadores e televisores, quando houver previsão de temporal forte;
Observar sinais de problema, como disjuntores que desarmam com frequência, tomadas aquecidas ou cheiro de queimado;
Não se aproximar de fios caídos e avisar a distribuidora de energia, que em Minas Gerais atende pelo telefone 116.
Para quem vai investir na proteção da instalação, a recomendação é partir de um diagnóstico da instalação. "Primeiro entender o que a residência tem de equipamentos eletroeletrônicos e o que a instalação elétrica atual exige. "A solução certa depende desse diagnóstico, e a escolha de componentes de qualidade vem depois", resume Ramon.
A Loja Elétrica, uma das maiores redes de materiais elétricos do Brasil, reúne em seu portfólio produtos para proteção da instalação residencial, como dispositivos de proteção contra surtos, disjuntores e materiais para aterramento, e orienta o consumidor a buscar sempre um eletricista qualificado para instalação e manutenção.





Comentários