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Cirurgia Cardíaca Robótica: saiba os diferenciais da linha inédita no DF, lançada pelo Hospital Santa Lúcia

  • há 5 horas
  • 4 min de leitura

O Hospital Santa Lúcia (HSL) oficializou o lançamento de sua nova linha de Cirurgia Cardíaca Robótica, consolidando a capital federal como um dos principais polos de medicina cardiovascular de alta performance do país. O marco foi apresentado recentemente em um evento institucional voltado para cardiologistas clínicos, com o objetivo de detalhar o funcionamento e a estrutura do programa assistencial completo que a linha passa a oferecer de forma contínua para a população do Distrito Federal e da região Centro-Oeste.



O lançamento ocorre logo após a instituição alcançar um feito histórico: a realização da primeira cirurgia cardíaca robótica do Distrito Federal, em março deste ano. O procedimento de alta complexidade foi feito com auxílio da plataforma Da Vinci Xi para a correção estrutural da válvula mitral de um paciente. Com a estruturação definitiva da linha de cuidado, o Grupo Santa passa a integrar um grupo seleto de hospitais brasileiros habilitados a disponibilizar essa tecnologia para o tratamento de patologias e diferentes condições que afetam o coração.



A nova linha foca na segurança assistencial e na aplicação de técnicas minimamente invasivas. Utilizando a plataforma robótica, considerada uma das mais sofisticadas do mundo para cirurgias, a frente de cuidado está estruturada para realizar diversos procedimentos cardiovasculares.



As principais indicações clínicas incluem:


  • Correção de doenças da válvula mitral (reparos e plastias valvares);

  • Fechamento de comunicações interatriais (CIA) e correções de defeitos septais;

  • Tratamento de cardiopatias estruturais selecionadas;

  • Retirada de tumores cardíacos benignos (como mixomas);

  • Estratégias específicas de revascularização miocárdica (pontes de safena/mamária em vasos selecionados).


O Dr. Victor Figueiredo, coordenador do Centro de Cirurgia Robótica do Grupo Santa, explica que a tecnologia utilizada atua como um amplificador da capacidade humana, mas o controle absoluto é dos cirurgiões.



“É importante destacar que o robô não realiza a cirurgia de forma autônoma”, ressalta. “Todos os movimentos são executados pelo cirurgião, que controla os instrumentos por meio de um console com visão tridimensional de alta definição. A tecnologia permite movimentos extremamente precisos, filtragem de tremores e acesso a regiões anatômicas complexas por pequenas incisões.”



Precisão cirúrgica



Do ponto de vista técnico e operacional, a linha de cirurgia robótica oferece aos cirurgiões um arsenal de recursos que supera limitações físicas das abordagens tradicionais. De acordo com o Dr. Victor Figueiredo, a estabilidade e a precisão dos instrumentos são os principais diferenciais dentro de campo cirúrgico.



"A visão tridimensional com alta ampliação permite identificar detalhes anatômicos com extrema nitidez. Os instrumentos robóticos têm articulações que reproduzem e até superam a amplitude dos movimentos da mão humana em espaços reduzidos. Além disso, o sistema elimina tremores fisiológicos e proporciona maior estabilidade durante procedimentos delicados. Isso se traduz em maior precisão na realização de dissecções, reparos valvares e suturas complexas”, detalha o médico.



Menos trauma e mais conforto na reabilitação



Normalmente encarada como um procedimento doloroso e de longa recuperação, a abordagem cirúrgica cardiovascular ganha maior leveza e previsibilidade com a incorporação na robótica.



O Dr. Vitor Barzilai, cardiologista e coordenador de ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), Transplante Cardíaco e Insuficiência Cardíaca Avançada do Grupo Santa, pontua o impacto do evento de apresentação da linha para o mercado clínico: "Foi uma oportunidade de apresentação para o cardiologista clínico de que há uma forma incrível de melhorar a experiência da cirurgia cardíaca para o paciente, com menos traumas relacionados a uma cirurgia de grande porte, reduzindo a uma experiência semelhante à dos procedimentos minimamente invasivos."



Na prática, embora os rigorosos critérios de avaliação e segurança pré-operatória permaneçam idênticos aos da cirurgia convencional, a principal mudança fora da sala cirúrgica ocorre na reabilitação. Como a maioria dos casos dispensa a esternotomia (abertura do esterno, osso central do peito), o paciente experimenta um pós-operatório com menos dor, menor necessidade de transfusões sanguíneas e menor tempo de internação. O retorno às atividades profissionais e habituais é mais rápido e mais confortável.



Expansão sustentável



A linha de cuidado recém-inaugurada concretiza os esforços do Hospital Santa Lúcia ao longo de três anos no desenvolvimento do projeto. Referência em cirurgias cardiovasculares tradicionais, a instituição passa a oferecer, com auxílio da tecnologia robótica, uma diversidade de tratamentos ainda maior. A expectativa institucional é de um crescimento gradual e sustentável no volume de procedimentos para pacientes elegíveis a partir de agora.



“A criação da linha de Cirurgia Cardíaca Robótica envolveu investimento em tecnologia, treinamento de equipes e desenvolvimento de protocolos assistenciais”, reforça o Dr. Victor Figueiredo. “Nosso objetivo é estabelecer um programa sólido, sustentável e centrado no paciente. Esse marco reforça a vocação do Grupo Santa para liderar a inovação em saúde, sempre com responsabilidade, excelência técnica e compromisso absoluto com a segurança e os resultados dos nossos pacientes."



O cirurgião cardíaco Dr. Claudio Cunha, um dos profissionais que lideraram a primeira operação robótica de coração no DF, acrescenta que o lançamento vem após um longo período de aprendizagem e aperfeiçoamento, com cerca de 125 procedimentos cardíacos robóticos realizados previamente pela equipe.



“Nossa equipe iniciou um grande trabalho em 2023, e estamos indo a outros estados para ajudar a iniciar os programas, expandindo assim a técnica e compartilhando conhecimento. Em Brasília, participamos de toda a estruturação do projeto e realização dos primeiros casos”, relembra.

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