Com poesia, humor e esperança, Saci Wèrè lança o álbum Pra Ninar o Fim do Mundo
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O segundo álbum da banda brasiliense surge numa garagem, atravessa um luto e renasce como missão. Chega às plataformas no dia 24 de julho, com participações de Martins, Flaira Ferro e Talíz e oito videoclipes, um para cada faixa, assinados por Gui Campos, Gabriel Pinheiro e Mihay.
Seis anos após o sucesso do primeiro álbum Cabeça Sem Tampa, o saci rodopiou. No novo giro, a banda chega ao segundo álbum com uma ambição poética: ninar o fim do mundo. Entre vozes de rezadeiras, conselhos de velhos sábios e manifestações do invisível, Pra Ninar o Fim do Mundo costura grooves ancestrais e futuristas com o deboche necessário para atravessar este tempo estranho em que bilionários passeiam de foguete enquanto o mundo padece. É antídoto, ritual e brincadeira. Uma rasteira de jiboia nas crises da modernidade.
"Pra Ninar o Fim do Mundo nasceu da sensação de que a gente vive atualmente o colapso de um mundo. Em vez de responder a isso com desespero, escolhemos imaginar outro caminho. Ninar é acolher e cantar para atravessar a noite. Se esse mundo realmente estiver acabando, que seja pra nascer outro, e que seja ao som de música brasileira", brinca o vocalista Chris Barea.
O disco é como uma travessia que começa com preces de senhoras rezadeiras em "Ladainha", evocando Igatu, uma pequena cidade às margens do rio Madalena, na Bahia. Inspirada na tradição das ladainhas religiosas, a música cria um território onde convivem vida e morte, passado e presente, realidade e mito. É a canção que abre a porteira e anuncia, desde o primeiro gesto, que esse disco se move entre o visível e o invisível. "Por um lado, 'Ladainha' fala de um lugar que existe. Por outro, de um lugar mítico, deslocado no tempo. É nossa pequena homenagem aos antigos", explica Chris.
Ao longo do álbum, cada canção propõe uma forma de enfrentar o "fim do mundo". "Hoje os Playboys Andam de Foguete" é um hit que ironiza a corrida espacial de bilionários rumo a outros planetas enquanto a Terra derrete, e ecoa declarações recentes de magnatas como Jeff Bezos, que já defendeu tirar do planeta as indústrias mais poluentes rumo a colônias no espaço. Martins se junta à banda em "Tempo Bom", uma canção-reza de atmosfera marítima, conduzida por um desejo brasiliense de mar. Flaira Ferro participa de "Manguinha", emprestando sua delicadeza a uma canção de voz e violão, na linhagem de "Acabou Chorare" e "Leãozinho", que celebra a beleza das pequenas alegrias, da memória e da infância. Já "Dilema" tem a participação de Talíz, cantora brasiliense que ganhou a cidade com sua voz, e mergulha na sensação de vertigem dos relacionamentos contemporâneos.
Em "Os Seis Conselhos de Tilopa" a banda transforma ensinamentos milenares em pista de dança, costurando humor, sabedoria e desbunde. A canção nasceu de um spam que divulgava os principais ensinamentos de um guru tibetano. Com um groove envolvente, a música brinca com os meios improváveis pelos quais as sabedorias milenares podem florescer nos dias de hoje. Já "Para-normal", em um trava-línguas, defende a ideia de que em uma sociedade colapsada, "um parafuso a menos poderá te consertar". No encerramento, "Rasteira de Jiboia" dança o conflito com ginga e malandragem.
Pra Ninar o Fim do Mundo é resultado de uma construção comunitária e coletiva cozinhada a fogo baixo. Foram quatro anos entre composição, gravação, produção e pós-produção, período em que a banda atravessou um luto inesperado: a morte de um grande amigo. Responsável pela direção artística dos shows da Saci Wèrè, foi com Hugo Rodas que a banda desenvolveu uma das suas características mais marcantes: a potência cênica, o espírito dionisíaco e a presença no palco. Depois desse luto, a banda entendeu que seguir era sua missão. O show de lançamento do álbum, com essa mesma potência cênica herdada de Hugo e agora dirigido por uma de suas pupilas Juliana Drummond, promete dar o que falar.
A formação atual reúne Alan Abacate (violão), Amanda Duarte (voz e percussões), Chris Barea (voz), Danilson Oliveira (baixo), Fernando Mazoni (bateria), Gui Campos (guitarra) e Hélio Devadatta (percussão).
Com produção musical, mixagem e masterização de Samuel Mota, arranjos assinados pelos irmãos Dila e JP Mansur, capa ilustrada por Bruna Daibert, produção de Paula Rios da Batedeira Cultural, o projeto tem patrocínio do FAC - Fundo de Apoio à Cultura do DF.
É esse o convite que a Saci Wèrè faz em Pra Ninar o Fim do Mundo: transformar a incerteza de um mundo colapsado em canção.
É para quem gosta de
Novos Baianos, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tincoãs, Mateus Aleluia, Serena Assumpção, Mutantes e Luedji Luna.
Sobre a Saci Wèrè
A Saci Wèrè é uma banda de Brasília que experimenta a diversidade das tradicionais músicas brasileiras e latinas em diálogo com ritmos urbanos e texturas eletrônicas. Com mais de 2 milhões de reproduções em suas músicas autorais no Spotify, o grupo vem conquistando ouvintes em diferentes regiões do Brasil, das Américas e da Europa.






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