Curso de Tranças une técnica, ancestralidade, fortalecimento da cultura afrodescendente e reconhecimento legal da profissão (CBO)
- Rodrigo Carvalho
- há 1 hora
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O projeto Territórios Afrocandangos realiza, no primeiro semestre de 2026, um circuito formativo gratuito que percorrerá 22 territórios de matriz africana no Distrito Federal e entorno, promovendo oficinas que valorizam saberes ancestrais, identidade cultural e economia criativa dos povos tradicionais de terreiro.
A iniciativa propõe um mergulho na riqueza simbólica e estética das culturas afro-brasileiras, abordando práticas como trançados de cabelo, indumentárias tradicionais, gastronomia, artesanato, toques de maracatu e afoxé, além de reflexões sobre políticas públicas afirmativas e direitos humanos dos povos tradicionais.
No próximo 18 de janeiro, o Ilé Asé Ojuina Soroke Efon, localizado na DF-140, Km 8, recebe a Oficina de Tranças da Ancestralidade, das 14h às 18h, com participação gratuita. A atividade será ministrada por Gabriela Dias, trancista profissional com mais de cinco anos de experiência, e integra uma iniciativa que alia qualificação técnica, valorização cultural e fortalecimento da identidade afrodescendente.
Empreendedora e proprietária de um espaço especializado em tranças há mais de três anos, Gabriela construiu sua trajetória profissional promovendo não apenas estética e cuidado capilar, mas também autoestima, autonomia financeira e reconhecimento dos saberes tradicionais ligados à cultura afro-brasileira. Por meio de atendimentos e formações, sua atuação contribui diretamente para a geração de renda e o fortalecimento do empreendedorismo, especialmente entre mulheres negras.
A oficina acontece em um momento simbólico para a categoria. Recentemente, a profissão de trancista passou a ser oficialmente reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com inclusão na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), consolidando o ofício como atividade profissional formal no país. Esse reconhecimento representa um avanço histórico, pois amplia a visibilidade da profissão, facilita a formalização do trabalho, o acesso a políticas públicas, à previdência social e fortalece a luta contra a informalidade no setor.
Além disso, projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional buscam regulamentar de forma definitiva a profissão de trancista, garantindo direitos trabalhistas, segurança jurídica e valorização profissional para quem atua nesse ofício ancestral, majoritariamente exercido por mulheres negras.
Iniciada no Candomblé aos 14 anos, Gabriela aprofunda em sua prática profissional a conexão com a ancestralidade e com o significado simbólico das tranças enquanto expressão cultural, espiritual e histórica. Para ela, trançar cabelos vai muito além da técnica: é um ofício ancestral transmitido entre gerações, que carrega identidade, memória e resistência.
A Oficina de Tranças da Ancestralidade tem como objetivo capacitar novas trancistas, oferecendo conhecimentos práticos e teóricos, ao mesmo tempo em que promove a valorização das tradições de matriz africana e o reconhecimento das tranças como patrimônio cultural e ferramenta de transformação social.
Mais do que uma formação profissional, a iniciativa se consolida como um espaço de troca de saberes, fortalecimento da identidade e reafirmação cultural, onde cada trança representa a continuidade de uma herança viva que atravessa o tempo e os territórios.
Serviço
Oficina de Tranças da Ancestralidade
Data: 18 de janeiro (domingo)
Horário: 14h às 18h
Local: Ilé Asé Ojuina Soroke Efon – DF 140, Km 8, Jardim Botânico
=> Gratuito
Atenção: Serão 6 encontros gratuitos, sempre das 14h às 18h. Para receber o certificado, é necessário participar de todos os encontros.
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Inscrições e informações:






