DOLORES, novo filme de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, será exibido na 29a Mostra de Cinema de Tiradentes
- Rodrigo Carvalho

- há 1 dia
- 8 min de leitura

Concluindo a Trilogia do Afeto, desenvolvida pelo cineasta Chico Teixeira, falecido em 2019, DOLORES será exibido na 29a Mostra de Cinema de Tiradentes, que acontece entre 23 e 31 de janeiro. O longa é dirigido por Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, com produção de Sara Silveira, Eliane Bandeira e Maria Ionescu, além de contar com a Misti Filmes como produtora associada, a GT Produções na coprodução e a Califórnia Filmes na distribuição.
Interpretada por Carla Ribas (também protagonista de Alice), a Dolores do título é uma mulher de 65 anos, e tem uma premonição de abrir um cassino, mas isso se torna um problema uma vez que já foi viciada em jogos e tem uma relação tensa com a única filha, Deborah (Naruna Costa), mas é próxima da neta, Duda (Ariane Aparecida), que trabalha numa loja de armas, e sonha em se mudar para os EUA.
“O desejo era construir um tecido de momentos da vida de mulheres, momentos de transição em suas vidas e armar os conflitos criando em cada cena um intimidade entre o espectador e as personagens. O trabalho maior foi adentrar, em cada versão, na gênese das personagens,” explicam os diretores.
Trabalhando em um novo roteiro, a partir da versão original escrita por Chico e Sabina Anzuategui, a dupla de cineastas buscou desenvolver personalidades distintas para cada uma das mulheres dessa família. “Construir partituras distintas. E sentir os impulsos internos das personagens. E, acima de tudo, entender os seus silêncios. Descobrimos que o filme iria falar sobre liberdade (e a privação dela) nos pequenos e grandes gestos. Nas pequenas e grandes apostas.”
Além disso, o longa é sobre “imaginar outras vidas além da vida em que se vive. Não necessariamente porque a vida que se vive é ruim, mas porque essas mulheres querem mais. Querem outras coisas.”
O desejo de Marcelo e Maria Clara trabalharem juntos nasceu das afinidades artísticas que encontraram um no outro. “Conheço Maria Clara faz mais de dez anos e reconheci seu talento logo nas primeiras conversas. Convidei ela para trabalhar como minha assistente de direção em 3 filmes, além de trabalhar no casting desses últimos. Essa parceria sempre foi muito criativa e produtiva. Tínhamos uma confiança mútua. Eu precisava de uma parceira para me ajudar nessa jornada pelo universo feminino do filme e ninguém melhor que Maria Clara”, conta Marcelo.
“Ao longo dos anos construímos um uma amizade e uma parceria que nasceu antes de mais nada da vontade de fazer cinema, de falar de pessoas, imaginar sentimentos, inventar outras saídas. Me parece que quando as duas pessoas que estão ali querem muito fazer um filme, aquele filme, e querem fazê-lo juntas, o trabalho vira um espaço de criação, de alimento. Acho que antes de mais nada nós temos muito respeito um pelo outro, pelo nosso trabalho, pelo trabalho do Chiquinho e pelo cinema.”, acrescenta Maria Clara.
Definido pelos cineastas como “um coral de vozes”, DOLORES faz um retrato de diversas mulheres brasileiras contemporâneas. “Cada uma com uma personalidade distinta, com sua subjetividade. As mulheres muito constantemente são representadas nas artes como personalidades fixas: ou é mãe, filha, esposa; é guerreira ou é vítima. Nós queríamos que as nossas mulheres fossem contraditórias, tivessem dúvidas, que elas pudessem ser livres para ser o que se revelassem pra gente. Além disso, é muito comum à experiência feminina você aprender com as trocas quase secretas, em particular, que se dão exclusivamente com outras mulheres.”
O longa chega à Mostra de Tiradentes depois de passar pelo Festival de San Sebastian, onde fez sua estreia mundial, Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e Festival do Rio. Além disso, será exibido também no Festival Internacional de Roterdã, que acontece entre 29 de janeiro e 8 de fevereiro.
Produzido pela Dezenove Som e Imagens, DOLORES tem apoio da Spcine e do programa de Internacionalização Brasil no Mundo, do Projeto Paradiso.
Sinopse
Às vésperas de completar 65 anos, Dolores tem uma premonição: sua vida vai mudar. Ela será dona de um cassino de sucesso. Mas seu passado de vício em jogo pode jogar contra ela. Deborah, sua única filha, espera a saída do namorado da prisão para começar uma nova vida, enquanto Duda, neta de Dolores, se agarra a uma oportunidade de trabalhar nos Estados Unidos. As três mulheres tentam transformar seus sonhos de uma vida melhor em realidade, apostando tudo ou nada.
Ficha Técnica
Brasil, 2025, 84 min
Direção: Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes
Elenco: Carla Ribas, Naruna Costa, Ariane Aparecida, Gilda Nomacce, Zezé Motta
Roteiro Original: Chico Teixeira, Sabina Anzuategui
Roteiro: Maria Clara Escobar, Marcelo Gomes
Produção: Sara Silveira, Eliane Bandeira, Maria Ionescu
Coprodução: GT Produções
Produção Associada: Misti Filmes
Financiamento: BRDE, FSA, Ancine
Apoio: Spcine
Apoio: Projeto Paradiso
Realização: Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura, Governo Federal
Direção de Fotografia: Joana Luz
Direção de Arte: Juliana Lobo
Montagem: Isabela Monteiro de Castro Araujo
Música Original: Felipe Botelho
Distribuição no Brasil: California Filmes
Sobre o diretor | MARCELO GOMES
O primeiro longa-metragem de Marcelo Gomes, Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), estreou na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes, onde foi premiado com o Prêmio do Ministério da Educação da França. Desde então, seu trabalho tem sido exibido em importantes festivais internacionais, incluindo Veneza, Toronto, San Sebastián e Berlim. Reconhecido por sua narrativa intimista e estilo visual distinto, Gomes explora as paisagens sociais e culturais do Brasil com profundidade e originalidade. Seu último filme, Retrato de um certo Oriente (2024), teve sua estreia mundial na Competição Big Screen do Festival Internacional de Cinema de Roterdã (IFFR).
Sobre a diretora | MARIA CLARA ESCOBAR
Maria Clara Escobar é diretora, roteirista e poeta. Realizou e escreveu o filme Desterro (2020), que teve sua estreia na Tiger Competition do Festival Internacional de Rotterdam em 2020. Quando entrou na Netflix, o longa foi indicado pelo NY Times como um dos seis filmes a serem vistos. Maria Clara também realizou e escreveu o documentário Os Dias Com Ele (2014), premiado como melhor filme no Doc.Lisboa entre outros; e o híbrido Explode São Paulo, Gil (2025), vencedor do prémio de melhor direção e melhor atuação no Olhar de Cinema, Brasil.
Além dos longas, realizou os curtas: Onde Habito, do Sesc ConVida, Passeio de Família, prêmio Porta Curtas, e Domingo, selecionado para o ciclo de escolas do Festival de San Sebastián; e é roteirista de filmes como Serra das Almas, de Lírio Ferreira (2024), Ontem Havia Coisas Estranhas no Céu (2020) e Histórias que Só Existem Quando Lembradas (2005), de Julia Murat, entre outros.
Sobre a atriz | CARLA RIBAS
Nascida no Rio de Janeiro, é formada em Desenho Industrial e começou sua carreira de atriz aos 35 anos de idade. Dedicou-se aos estudos da arte dramática fazendo oficinas de ator com Fátima Toledo, Walter Rippel, Eduardo Milewicz, Eduardo Wotzik, Camila Amado, Marcio Libar, Christiane Jatahy, André Paes Leme, Domingos Oliveira, Yoshi Oida, Gerald Thomas, Josie Antello, Moacir Chaves, Juliana Carneiro da Cunha, Cláudia Câmara, Luis Mello, Daniel Herz e Suzana Kruguer, Antunes Filho, Denise Courtouké, Moacyr Góes, Leon Góes, David Herman, José Possi Neto, Paulo Betti, Luis de Lima e Elias Andreato.
A respeito de seu trabalho em A Casa de Alice, Luiz Carlos Merten, crítico de cinema do jornal O Estado de S. Paulo, escreveu: "Em sua estreia no cinema, a atriz de teatro Carla Ribas sobe imediatamente ao pódio das maiores interpretações femininas da história do cinema no País.
Sobre a atriz | NARUNA COSTA
Sua atuação se caracteriza pela valorização poética das periferias paulistanas e da presença negra no cenário cultural. Ao longo de duas décadas, Naruna se firma no mundo artístico brasileiro graças ao impacto político e estético de seus trabalhos em teatro, televisão, cinema e música. Seus trabalhos ilustram a resistência à opressão social e os abismos econômicos do país.
Formada na EAD - Escola de Arte Dramática ECA/USP/2009, Naruna é Co-fundadora do Espaço Clariô Taboão da Serra e do premiado Grupo Clariô de Teatro, referência da militância negra de cultura periférica de SP. Também lidera o grupo de pesquisa de música urbana de raiz popular, Clarianas, e tem três discos gravados. No audiovisual, Naruna esteve em Beleza Fatal (HBO MAX) e na série Irmandade (NETFLIX). Ela foi indicada ao Prêmio Shell de Melhor direção teatral, pelo espetáculo Parto Pavilhão e recebeu o Prêmio Shell pela direção musical do espetáculo Boi Mansinho E a Santa Cruz do Deserto, do Grupo Clariô, em 2025. Se destacou com o Prêmio APCA/2018, na categoria Melhor Direção, pela montagem do espetáculo BURAQUINHOS - ou - O Vento é inimigo do Picuma, de Jonny Sallaberg, se tornando a primeira diretora negra a receber o prêmio, desde sua criação em 1956. Naruna também foi premiada na categoria Melhor Atriz, em 2020 por sua atuação no filme Toro, de Eduardo Felistoque, no VI FBCI Festival Brasileiro de Cinema Itinerante.
Sobre a atriz | ARIANE APARECIDA
Ariane Aparecida é atriz, dançarina e aerelista, formada pela cena teatral paulistana e graduanda em Arte-Teatro pela UNESP. Iniciou no teatro aos 12 anos, na Fábrica de Cultura da Brasilândia, e integrou companhias como a Cia. Satyros e a ColetivA Ocupação, com a qual se apresentou em festivais no Brasil, Portugal, França e Reino Unido. No audiovisual, protagonizou o clipe Baila Conmigo, de Selena Gomez, e integrou elencos de filmes como Baby (Marcelo Caetano), e Aqueles Dias (Hélio Goldsztejn), exibidos em festivais como a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e o Festival do Rio, além de Dolores (Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar).
Sobre a atriz | GILDA NOMACCE
Gilda Nomacce está no teatro, cinema, streaming, moda, artes plásticas e ópera.
Considera sua maior formação os oito anos de pesquisa no CPT, trabalhando com o diretor Antunes Filho.
Destaca também a residência artística em Watermill Center, instituto do diretor Bob Wilson. No seu IMDB são 108 títulos. Está em filmes, como Trabalhar Cansa, Ausência, Quando Eu Era Vivo, Casa de Antiguidades, Três Tigres Tristes, Humores Artificiais, entre outros que foram exibidos e premiados nos festivais de Cannes, Berlim, Brasília, Tiradentes, São Paulo, Rio de Janeiro, entre outros. Em outubro, estará novamente nas telas dos cinemas com a estreia do longa Enterre seus Mortos, do diretor Marco Dutra. No streaming, está em obras como Cidade Invisível, da Netflix, em Desejos S.A. e Tarã da Disney, além de muitas outras.
Narradora na Ópera O olhar de Judith (double bill) dirigida pelo Belga Wolter Van Looy, no Theatro Municipal, que ganhou prêmio APCA este ano. Foi seu segundo trabalho em Ópera após ter atuado em Os sete pecados capitais, dirigida por Alexande Dal Farra, no Theatro São Pedro.
Sobre a produtora | DEZENOVE SOM E IMAGENS
A Dezenove Som e Imagens foi fundada pelo cineasta Carlos Reichenbach e a produtora Sara Silveira em 1991. Em parceria com a produtora Maria Ionescu, tem o objetivo de produzir curtas e longas-metragens independentes para o mercado nacional e internacional. Desde então, a empresa tem produzido alguns dos mais memoráveis filmes brasileiros. Tanto como produtora ou coprodutora, com parceiros brasileiros ou estrangeiros, a Dezenove tem constantemente apresentado seus filmes ao redor do mundo, em festivais de cinema internacionais por mais de trinta anos.
Sobre a distribuidora | CALIFORNIA FILMES
A California Filmes é uma empresa independente de distribuição de filmes que atua nos mercados de cinema, vídeo on demand e televisão. No mercado desde 1991, a Califórnia Filmes tem como principal objetivo distribuir filmes com qualidade e força comercial. O diversificado catálogo da California Filmes é o reflexo de uma busca incessante por novidades nacionais e estrangeiras. Sempre presente em festivais internacionais, como Cannes e Berlim, a distribuidora reafirma sua proposta de trazer às telas brasileiras títulos de caráter reflexivo, produções de vanguarda e sucessos premiados, que têm garantido uma excelente receptividade do público e o reconhecimento da crítica, posicionando-se hoje como uma das empresas mais importantes do mercado.










Comentários