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Férias escolares e rotina: como equilibrar brincar, descanso e bem-estar das crianças

As férias escolares costumam trazer uma dúvida recorrente para muitas famílias. É melhor manter rotina ou deixar os dias totalmente livres? Para Cristiane Cristo, diretora pedagógica da Start Anglo Bilingual School do Rio de Janeiro, o equilíbrio entre previsibilidade e liberdade é o que garante férias mais leves, seguras e significativas para as crianças.

“Rotina não é sinônimo de rigidez. É sinônimo de cuidado. Quando a criança sabe mais ou menos como o dia começa e termina, ela se sente segura para brincar, explorar e relaxar”, explica a educadora.

Segundo Cristiane, o erro mais comum é acreditar que, nas férias, tudo precisa ser improvisado ou, ao contrário, que cada dia deve ser preenchido com atividades, cursos e compromissos. “Nenhum dos extremos favorece o desenvolvimento infantil. A criança precisa de tempo livre, mas também de referências.”

 

Por que a rotina continua importante nas férias

Mesmo longe da escola, a criança segue em processo de desenvolvimento emocional e cognitivo. Dormir, acordar, se alimentar e descansar em horários minimamente previsíveis ajuda o corpo e o cérebro a funcionarem melhor.

“A previsibilidade organiza o emocional. Quando a criança sabe o que esperar, ela fica menos ansiosa, menos irritada e mais disponível para brincar de forma criativa”, afirma Cristiane.

Ela reforça que não se trata de manter a rotina escolar, mas de criar uma rotina possível para o período de férias, mais flexível e adaptada ao ritmo da família.

 

Rotina não é agenda cheia

Para a diretora pedagógica, um dos grandes equívocos das férias é transformá-las em uma sequência de compromissos. “Quando a agenda está sempre cheia, a criança não descansa de verdade. O brincar livre, o ócio e até o tédio são fundamentais para o desenvolvimento.”

Cristiane explica que é no tempo livre que a criança aprende a se escutar, a inventar, a negociar brincadeiras e a lidar com frustrações. “O brincar espontâneo desenvolve autonomia, criatividade e habilidades socioemocionais que nenhuma atividade dirigida substitui.”

 

Como criar uma rotina leve e possível

A educadora orienta que a rotina das férias tenha poucos pilares claros. Horários aproximados para acordar, refeições feitas com calma, momentos de descanso e algum ritual de encerramento do dia já são suficientes.

“Não é preciso planejar tudo. Basta oferecer uma estrutura mínima. Dentro dela, a criança pode escolher como brincar, com quem brincar e por quanto tempo”, explica.

Outro ponto importante é respeitar o ritmo individual. “Algumas crianças acordam mais cedo, outras precisam de mais tempo. Observar o comportamento do seu filho ajuda a ajustar a rotina de forma mais respeitosa.”

 

A educadora compartilha 5 dicas práticas para criar rotina nas férias sem tirar a leveza

  1. Defina poucos marcos no dia

Horário aproximado para acordar, refeições feitas com calma e um ritual de encerramento à noite já criam segurança emocional.

  1. Preserve o tempo livre

Evite preencher todos os dias com compromissos. O brincar espontâneo é onde a criança mais desenvolve criatividade e autonomia.

  1. Combine expectativas com a criança

Conversar sobre o dia ajuda a criança a se organizar emocionalmente e a se sentir parte das decisões.

  1. Respeite o ritmo individual

Algumas crianças precisam de mais descanso, outras de mais movimento. Observar é mais importante do que comparar.

  1. Seja presença, não programação

Mais do que planejar atividades, estar disponível para ouvir, brincar e observar faz toda a diferença durante as férias.

 

O papel do adulto nesse processo

Para Cristiane Cristo, a presença do adulto é o que transforma a rotina em cuidado e não em controle. “A criança não precisa de alguém dizendo o tempo todo o que fazer. Ela precisa de um adulto disponível, que observe, escute e intervenha quando necessário.”

Ela reforça que as férias são um convite para fortalecer vínculos. “Quando o adulto desacelera, a criança também desacelera. A qualidade da presença importa mais do que a quantidade de atividades.”

 

Férias organizadas, infância preservada

Ao final, Cristiane destaca que rotina e brincar não são opostos. “Uma boa rotina protege o brincar. Ela cria um ambiente emocionalmente seguro para que a criança seja criança.”

Segundo a educadora, férias bem vividas não são aquelas cheias de registros ou compromissos, mas as que deixam memórias afetivas. “Quando a infância é respeitada, a criança volta mais segura, mais confiante e emocionalmente nutrida. Isso é o que realmente prepara para o próximo ano”, conclui Cristiane Cristo, diretora pedagógica da Start Anglo Bilingual School do Rio de Janeiro.

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