O carnaval que não acabou: Badu transforma restos de fantasias em arte contemporânea
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Em Carnavalesco Canibalesco, Badu reúne um conjunto expressivo de obras inéditas, especialmente criadas para o contexto expositivo, além de uma retomada de trabalhos anteriores que dialogam com o recorte proposto pelo artista. Em trânsito entre o bordado, a pintura, o desenho e objetos, Badu subverte e recria possibilidades carnavalizantes ao unir as práticas artísticas carnavalescas com técnicas tradicionais da arte contemporânea.
Pinturas, bordados e outras "costuras" conceituais dão o tom de uma produção que o próprio artista denomina como "badulescalização" — uma operação estética que mistura devoção, festa, corpo e fabulação.
A abertura será realizada no dia 19 de março, às 19h, e a visitação poderá ser feita até 25 de abril. A manutenção da galeria e a realização da exposição são viabilizadas por meio do edital de manutenção de espaço do FAC — Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal e por meio do edital Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2025.
A exposição ocupa o que Badu descreve como "o limbo pós-folia". É desse cenário de restos e reminiscências que nasce a matéria-prima da mostra: fragmentos de fantasias e alegorias recolhidos diretamente dos sambódromos do Anhembi (SP), Marquês de Sapucaí (RJ) e Sambão do Povo (ES).
Esses materiais são ressignificados em um gesto que o artista define como carnavalesco-canibalesco. "A exposição devora sua própria carne de carnaval para continuar sendo festa, folia, brilho... E assim, quem sabe, tentar inscrever novas possibilidades na constituição de uma história das artes festivas brasileiras", afirma.
A chegada a Brasília carrega um simbolismo especial para o artista. "É a primeira vez que realizo uma individual fora de Goiânia, e Brasília tem um gostinho interessante nisso tudo. Um dos maiores carnavalescos de todos os tempos, Joãosinho Trinta, residiu em Brasília no final da sua carreira, ali nos início dos anos 2000. Nesse sentido, estar em Brasília é estar ao centro do país pensando como criar horizontes da existência carnavalesca dentro da arte brasileira, principalmente considerando todo o contexto sociocultural do Centro-Oeste, que por vezes é conservador na tratativa desse tipo de celebração. Estar em Brasília é gritar para tentar ser escutado aos quatro cantos deste país. Berrando sobre como podemos ser festa, folia, brilho e arte da melhor qualidade."
“A itinerância do trabalho de Badu integra um esforço de ampliação da circulação de produções artísticas do Centro-Oeste. A iniciativa dialoga diretamente com a missão d’A Pilastra e da FARGO de criar pontes, promover intercâmbios e valorizar artistas da região, contribuindo para que suas vozes e pesquisas alcancem novos contextos e públicos” complementa a curadora.
A curadoria da antropóloga Geovanna Belizze estabelece uma ponte entre a pesquisa acadêmica e a prática expositiva, oferecendo uma leitura sensível e aprofundada dos processos do artista. Sua trajetória, que inclui a curadoria da exposição Estado Líquido (2026) e a participação em residências como a Galeria-Escola Turma 4 (A Pilastra), contribui para situar a produção de Badu no campo expandido das artes visuais, da antropologia e das festividades populares brasileiras.
Entre o sagrado e o profano, o íntimo e o coletivo, a exposição reafirma a potência do corpo como território de celebração, resistência e afeto — um cortejo contínuo de invenção do Brasil.
SOBRE O ARTISTA
Badu (2000, João Pessoa — PB) vive e trabalha em Goiânia (GO). É mestre em Arte e Cultura Visual pelo programa de pós-graduação da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (FAV/UFG), onde desenvolveu a pesquisa "Onde está você, Carnaval? — Materialidades de um corpo-folião". Sua obra transita entre fotografia, bordado, videoperformance, desenho e objetos. Participou das individuais Divino Carnaval (2023) e O tempo frio que esquenta a gente (2024), além de coletivas como Abre Alas 20, na A Gentil Carioca (2025). Foi premiado com o Prêmio Estímulo FARGO (2023) e integra regularmente a Feira de Artes de Goiás (FARGO). Atua também como curador e carnavalesco.
SOBRE A CURADORA
Geovanna Belizze é mestre em Antropologia pela Universidade de Brasília (UnB) e fotógrafa profissional desde 2020. Em 2024, tornou-se produtora de comunicação para A Pilastra Galeria-Escola. Sua pesquisa acadêmica e artística explora interseções entre moda, fotografia e ação coletiva. Em 2025, atuou como curadora adjunta da exposição Poéticas Carnavalescas e, para 2026, assina a curadoria da exposição Estado Líquido de Guilherme Moreira, do artista Badu e integra a 9ª edição de Hospitalidade Coletiva como curadora-residente.
Serviço:Exposição: Carnavalesco CanibalescoArtista: BaduCuradoria: Geovanna BelizzeAbertura: 19/3 às 19hVisitação: 20/3 a 25/4, quarta a sábado das 14h às 19hLocal: A Pilastra — Guará II, QE 40, rua 09, lote 8Entrada: GratuitaClassificação indicativa: Livre
Realização: A Pilastra Galeria-Escola, com recursos do edital de manutenção de espaço do FAC — Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal e do edital Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2025. Esta exposição faz parte do projeto #FARGOAnoTodo.
Redes sociais: @a.pilastra | @fargo.arte | @baducarnaval | @geovannabelizze







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