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Pano, esponja e bancada: infectologista alerta para 5 cuidados na limpeza da cozinha

há 1 hora
3 min de leitura

Estudo brasileiro encontrou os maiores níveis de contaminação microbiana em esponjas e panos entre os pontos analisados; infectologista explica como evitar a contaminação cruzada e quando o uso de materiais descartáveis pode ser aliado.

Bancada limpa, pia sem louça e fogão brilhando costumam ser sinais de que a cozinha está em ordem. Mas existe uma diferença entre uma superfície parecer limpa e estar sendo higienizada de maneira adequada.

Um dos pontos de atenção está justamente naquilo que usamos para fazer a limpeza. Quando um mesmo material passa por diferentes superfícies, permanece úmido ou não é higienizado corretamente, pode acabar transportando microrganismos de um local para outro.

Um estudo de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), publicado no Journal of Food Protection, ajuda a dimensionar a questão. A pesquisa analisou a contaminação microbiana em cozinhas de residências estudantis, avaliando geladeiras, pias, panos e esponjas. Os maiores níveis de contaminação microbiana foram encontrados nas esponjas, seguidas pelos panos. O estudo não detectou Salmonella nem Listeria monocytogenes nas amostras.

'Uma cozinha visualmente limpa não necessariamente está livre de microrganismos. O cuidado precisa estar não apenas na superfície, mas também nos materiais utilizados na limpeza. Se um mesmo item circula por diferentes locais sem a higienização adequada, pode contribuir para transportar microrganismos entre eles', explica a infectologista Camila Ahrens.

Limpar também pode espalhar

O fenômeno é conhecido como contaminação cruzada. Na cozinha, ele pode acontecer quando microrganismos presentes em um alimento, utensílio ou superfície chegam a outro local de maneira direta ou indireta.

Um exemplo está no preparo de alimentos crus. Resíduos deixados sobre uma bancada não devem simplesmente ser espalhados ou retirados com um material que depois será utilizado em outras áreas.

'Resíduos de alimentos crus merecem atenção especial. Nesses casos, é importante retirar o material, descartá-lo adequadamente e realizar a higienização da superfície. Também é fundamental lavar as mãos e evitar que utensílios utilizados naquele processo entrem em contato com alimentos prontos para consumo', orienta Camila.

É nesse contexto que materiais de uso único, como a toalha de papel, podem ser aliados em determinadas situações. Ao retirar um resíduo e ser descartado logo depois, o material não volta a circular pela cozinha.

'Em situações pontuais, o uso de um material descartável pode ajudar porque interrompe esse ciclo. Você retira o resíduo e elimina aquele material, reduzindo a possibilidade de reutilizá-lo em outra superfície. Isso não significa que descartáveis sejam sempre mais higiênicos ou que materiais reutilizáveis sejam inadequados. O mais importante é escolher a solução correta para cada tarefa e manter boas práticas de higiene', acrescenta a infectologista.

A higiene muda hábitos de consumo

A preocupação com a forma de limpar também ajuda a entender uma transformação na categoria de toalhas de papel.

Pesquisa da Kantar sobre o mercado brasileiro mostra que características funcionais como qualidade, absorção, resistência e espessura representam 25,1% dos fatores associados à força das marcas. Praticamente no mesmo patamar aparece a percepção de que a toalha de papel é uma 'parceira nas tarefas de casa', com peso de 24,1%.

Na Softys Sepac, a maior procura pela categoria também aparece nos resultados: a companhia aponta a linha de toalhas de papel Maxim como a categoria/produto que apresentou o maior crescimento financeiro no último ano dentro da operação.

Para a companhia, esse desempenho acompanha uma mudança na forma como o consumidor utiliza a toalha de papel. Além de resistência e absorção, ganham relevância a praticidade e a possibilidade de utilizar o produto em tarefas específicas, descartando-o logo depois e evitando que o mesmo material circule por diferentes superfícies.

Essa mudança não exige transformar a cozinha em um ambiente descartável. Panos, esponjas e outros materiais reutilizáveis continuam tendo suas funções, desde que sejam corretamente higienizados, secos e substituídos quando necessário.

O principal cuidado é mais simples: não basta pensar se a cozinha parece limpa. É preciso observar como ela está sendo limpa e o caminho percorrido por aquilo que usamos para fazer essa limpeza.

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