ROTEIRO DA CIDADANIA apresenta BRASÍLIA de uma forma didática

A partir de 15 de setembro, estudantes do ensino médio do Distrito Federal, bem como pessoas ligadas a instituições não governamentais, terão uma nova maneira de conhecer Brasília: percorrendo seus espaços, monumentos e territórios como quem percorre as páginas de um livro. É quando começa o projeto Roteiros da Cidadania e Cultura no DF, realizado pelo Instituto Artetude Cultural que utiliza o turismo cívico como ferramenta de educação, cultura e formação cidadã.
A primeira atividade será realizada com estudantes do Centro de Ensino e Reabilitação, que escolheram o roteiro “Da Justiça Eleitoral ao Congresso Nacional”. O percurso inclui o Museu do TSE, o Panteão da Pátria, o Congresso Nacional, a Praça do Cruzeiro e a Câmara Legislativa do Distrito Federal.
A proposta é ir além dos cartões-postais e apresentar Brasília a partir de sua história, de seu patrimônio, das pessoas que ajudaram a construí-la e das instituições que fazem parte da vida política e social do país. Ao longo do projeto, cinco roteiros temáticos vão abordar diferentes aspectos da capital, passando por locais como a Praça dos Três Poderes, Esplanada dos Ministérios, Congresso Nacional, Palácio do Planalto, Catedral Metropolitana, Museu Nacional da República, superquadras e outros espaços representativos da cidade.
Outro eixo importante do projeto é a inclusão. Os cinco roteiros foram planejados para serem acessíveis a pessoas com deficiência e contam com uma coordenação específica de acessibilidade. O material didático inclui conteúdos em Braile e versões adaptadas para pessoas com deficiência intelectual, além de recursos de áudio descrição.
Os passeios serão realizados em ônibus com acessibilidade para pessoas com deficiência e contarão com intérpretes de Libras, além de guias e monitores preparados para atender diferentes necessidades. A intenção é garantir que todos os participantes possam não apenas visitar os espaços, mas compreender, participar e se reconhecer nas histórias apresentadas.
Realizado pelo Instituto Artetude Cultural, o projeto tem coordenação geral da produtora cultural Danielle Athayde e coordenação pedagógica da escritora Leiliane Rebouças. A iniciativa, que vai durar até março de 2027, reúne a experiência das duas profissionais nas áreas de cultura, turismo, educação e formação cidadã e é desenvolvida em parceria com o Ministério do Turismo, a Secretaria de Educação do Distrito Federal e o Instituto Federal de Brasília (IFB).
Os roteiros também propõem um olhar menos conhecido sobre Brasília. Ao lado de Juscelino Kubitschek, Lucio Costa e Oscar Niemeyer, personagens amplamente associados à construção da capital, aparecem nomes como Marianne Peretti, autora dos vitrais da Catedral Metropolitana e única mulher integrante da equipe principal de artistas de Brasília; Roberto Burle Marx, responsável por projetos paisagísticos de importantes edifícios públicos; e Sérgio Bernardes, autor do Mastro da Bandeira, na Praça dos Três Poderes.
A arquitetura é, portanto, apenas uma das portas de entrada para compreender a cidade. Os percursos também recuperam a memória dos candangos e dos trabalhadores que construíram Brasília e incorporam territórios que ajudam a contar uma história que ultrapassa os limites do Plano Piloto, como Vila Planalto, Candangolândia e outros locais do Distrito Federal.
Entre os espaços visitados estão o Museu Vivo da Memória Candanga, que preserva objetos, documentos e registros da vida dos trabalhadores durante a construção da capital; a Unidade de Vizinhança Modelo, formada pelas superquadras 107, 108, 307 e 308 Sul; a Igrejinha Nossa Senhora de Fátima; o Cine Brasília; o Santuário Dom Bosco; o Museu da Cidade e o Espaço Lúcio Costa.
Os cinco roteiros foram estruturados para apresentar diferentes dimensões da capital:
“Da Madeira ao Concreto” percorre memórias da construção de Brasília, arquitetura, religiosidade e arte.
“Soberania, Justiça e Democracia” aproxima os estudantes das instituições da República.
“Brasília: Arquitetura, Paisagem e Patrimônio” apresenta a relação entre urbanismo, arquitetura, natureza, cultura e vida comunitária.
“Da Justiça Eleitoral ao Congresso Nacional” aborda democracia, voto e participação cidadã.
“Poder, Arquitetura e Cidadania” propõe uma reflexão sobre a relação entre arquitetura, poder público e a própria formação da capital.
Mais do que visitar monumentos, a proposta é fazer com que estudantes e demais participantes dos roteiros percebam que Brasília é resultado de diferentes histórias, pessoas e acontecimentos. Reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1987, a capital passa a ser apresentada não apenas como um conjunto de obras arquitetônicas, mas como um território de memórias, identidades e diferentes trajetórias.
Para Leiliane Rebouças, conhecer Brasília pode ser uma forma concreta de aproximar os jovens da história do país e do exercício da cidadania.“O turismo cívico é muito mais do que conhecer Brasília. É uma oportunidade de entender a história da capital, conhecer de perto as instituições da República e perceber como as decisões que são tomadas aqui fazem parte da nossa vida. Conhecer esse lugar é também compreender o país e, de certa forma, exercer a própria cidadania”, afirma.
Danielle Athayde também destaca a importância de fazer com que os próprios moradores conheçam melhor a cidade onde vivem. Sua experiência com a temática inclui a exposição “Brasília: da Utopia à Capital”, que já levou a história da capital, por meio da arte, a países dos quatro continentes.“Trabalho com o tema Brasília há alguns anos e já tive a oportunidade de levar a história da capital através da arte para países dos quatro continentes, sempre com uma recepção muito positiva. Mas acredito que é igualmente importante que o cidadão que mora e vive em Brasília possa conhecer a história dessa cidade, que tem características tão únicas. O projeto parte justamente desse desejo de aproximar as pessoas de Brasília, de seu patrimônio e das histórias que fazem dela uma cidade tão especial.”
Ao transformar edifícios, monumentos, espaços públicos e territórios de memória em ambientes de aprendizagem, o Roteiros da Cidadania e Cultura no DF aproxima educação, cultura, turismo cívico e inclusão. A iniciativa parte de uma ideia simples: para quem vive em Brasília, a cidade pode ser muito mais do que o lugar onde se mora. Pode ser também uma sala de aula aberta, capaz de ajudar a compreender a história do Brasil e o exercício da cidadania.
SERVIÇO
Roteiros da Cidadania e Cultura no DF
Início: 15 de setembro de 2026
Realização: Instituto Artetude Cultural.
Parcerias: Ministério do Turismo, Secretaria de Educação do Distrito Federal e Instituto Federal de Brasília (IFB)
Inscrições e passeios gratuitos: institutoartetuecultural@gmail.com






Comentários