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Eles não gritam. Eles sussurram. E vão tomar conta de um casarão em Brasília

  • há 4 horas
  • 2 min de leitura

Quem disse que a grandeza de uma obra está nos protagonistas? A Casa de Ferreiro Companhia de Teatro, ao completar 15 anos de uma trajetória que já soma mais de 20 montagens e quase 300 alunos, decidiu fazer a pergunta ao contrário: e se a potência estiver nos cantos?



A resposta é "A Casa que Sussurra", uma imersão cênica de quase um ano inteiro que vai tirar os holofotes de quem sempre esteve sob eles para lançá-los, pela primeira vez, sobre as figuras que sempre estiveram à margem. As tias que vigiam. Os vizinhos que julgam. Os que observam. Os que sussurram.



"Durante décadas, montagens e estudos se debruçaram sobre os corpos expostos de Nelson Rodrigues. Nós queremos o avesso: os coadjuvantes que tudo veem e tudo comentam, mas nunca ganham nome, voz ou holofote", provoca Bruno Estrela, fundador e diretor da companhia.



Inédito e imersivo



O ineditismo não para na escolha do elenco de personagens marginais. A montagem final não acontecerá num teatro — mas num casarão peculiar nos arredores de Brasília, que não será cenário, e sim personagem. O público percorrerá cômodos, porões e escadas. Não haverá plateia. Haverá uma casa que respira com os atores. Uma casa que sussurra.



O processo de quase um ano, que começa em setembro de 2026 e se estende até 2027, também rompe com o formato de oficina. Os atores não interpretam uma visão pronta do diretor: cada um escolhe seu coadjuvante, investiga sua performance e confecciona o próprio figurino. O Método Artesanal, forjado pela companhia em 15 anos de pesquisa, é a ferramenta. Bruno Estrela conduz. O ator se inventa.



"Aqui não tem atalho", adverte Bruno. "Começamos com meses de leitura imersiva e debate da obra do Nelson. Só depois escolhemos as personagens. Só depois erguemos a cena. Quem busca facilidade não encontra o que procura aqui."



De Brasília para o Brasil



A trajetória da Casa de Ferreiro justifica a ambição. A companhia coleciona reconhecimento, entre os quais dois se destacam: o Prêmio Aldir Blanc por sua atuação na cena local e o Prêmio Web de Teatro, vencido por voto popular como a ação mais relevante do teatro local entre 2022 e 2024 pela revitalização física, artística e simbólica do lendário Teatro Oficina Perdiz.



A relevância da companhia, no entanto, já havia cruzado as fronteiras do Distrito Federal quando a dramaturgia da Casa de Ferreiro integrou espetáculo do Grupo Galpão, um dos mais importantes coletivos teatrais do país, num reconhecimento contundente, da potência do trabalho desenvolvido em Brasília.



O chamado



"Aos que ainda não podem se jogar no abismo, pedimos que não venham. É um trabalho que exige riscos", desafia Bruno, ecoando o tom do manifesto de abertura do projeto.



As inscrições estão abertas. Mas a casa tem os cômodos contados. E o sussurro, para ser ouvido, exige escuta — e coragem.



SERVIÇO:



A Casa que Sussurra — Oficina de Vivência e Imersão na obra de Nelson Rodrigues



Período: setembro/2026 a junho/2027 (recesso de 16/12 a 03/02)


Encontros: quintas-feiras, 19h30 às 21h30, Brasília.


Mais informações: (WhatsApp) 61996639268 ou @casadeferreiro.teatro  


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