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Mostra aproxima cinemas do Brasil e da Coreia do Sul na Cinemateca Brasileira

Entre os dias 19 de fevereiro e 1º de março, a Cinemateca Brasileira realiza a mostra O realismo crítico de Leon Hirszman e Park Kwang-su, em parceria com o Centro Cultural Coreano no Brasil e o Korean Film Archive. Gratuita, a programação reúne obras fundamentais dos dois cineastas que não só marcaram a história cultural em seus países, mas também evidenciaram o papel do cinema como linguagem artística, política e histórica.

 

A mostra propõe um diálogo entre as trajetórias de Leon Hirszman, no Brasil, e Park Kwang-su, na Coreia do Sul, cujas obras foram atravessadas por contextos de regimes autoritários e por forte engajamento político. Apesar das distâncias geográficas, suas filmografias se aproximam ao abordar temas como trabalho, democracia, mobilização social e relações de classe.

 

Na obra de Leon Hirszman, filmes como Eles não usam black-tie (1981) e ABC da Greve (1979–1990) evidenciam um cinema atento à organização da classe trabalhadora e aos conflitos sociais do Brasil urbano e industrial, enquanto São Bernardo (1972) amplia esse olhar para as estruturas de poder no Brasil rural.

 

Já Park Kwang-su é representado por títulos como Chilsu e Mansu (1988), considerado um marco do Korean New Wave, Eles também são como nós (1990), ambientado em uma cidade mineradora marcada pela repressão política, e O extraordinário jovem Jeon Tae-il (1995), baseado em uma história real que se tornou símbolo da luta por direitos trabalhistas na Coreia do Sul.

 

Ao colocar essas obras em diálogo, a mostra convida o público a refletir sobre como cinema, política e história se entrelaçam em diferentes contextos nacionais, revelando aproximações entre dois países distantes geograficamente, mas próximos em suas experiências sociais e geopolíticas.


O apoio do Centro Cultural Coreano no Brasil reforça o compromisso institucional da organização em ampliar o intercâmbio cultural e cinematográfico entre Brasil e Coreia do Sul, promovendo o acesso do público brasileiro a obras ainda pouco difundidas no país e estimulando leituras comparadas entre histórias, estéticas e contextos políticos distintos.

 

“Acreditamos que o cinema é uma ponte poderosa entre culturas. Apoiar uma mostra como esta é uma forma de aprofundar o diálogo entre Brasil e Coreia do Sul, mostrando como diferentes sociedades enfrentaram desafios semelhantes e como o cinema foi um instrumento fundamental de reflexão, memória e transformação social”, afirma Cheul Hong Kim, diretor do Centro Cultural Coreano no Brasil.

 

“Estamos muito contentes por realizar mais uma mostra dedicada ao cinema coreano clássico. A aproximação da obra de Park Kwang-su com a de Leon Hirszman funciona como uma chave de leitura mútua, na qual as filmografias se iluminam reciprocamente, permitindo a ampliação do acesso à obra de Park, cujos filmes circularam pouco no Brasil, e um olhar renovado sobre a obra de Hirszman. A partir desse diálogo, a mostra coloca em relação dois cineastas centrais em seus respectivos países, destacando pontos de contato entre os momentos históricos em que atuaram, as formas de produção, os temas e as estratégias estéticas”, destaca Maria Dora Mourão, diretora-geral da Cinemateca Brasileira.

 

Os ingressos são distribuídos gratuitamente uma hora antes de cada sessão.

 

Cinema e política

As primeiras incursões no cinema de ambos os diretores coincide também com suas primeiras experiências de militância política. No Brasil, Leon Hirszman participou da fundação da Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro quando ainda era aluno da Escola Nacional de Engenharia (UFRJ), além de integrar o Centro Popular de Cultura (CPC), ligado à União Nacional dos Estudantes (UNE). O CPC tinha como objetivo desenvolver uma arte nacional e politicamente engajada, em meio à efervescência cultural e social do início dos anos 1960.

Na Coreia do Sul, Park Kwang-su atuou no Yallasung, o mais antigo cineclube universitário coreano da Universidade Nacional de Seul. Mais tarde, junto com alguns colegas, criou o Seoul Film Collective, ainda no início dos anos 1980. Influenciados pelo cinema de arte europeu que começava a circular no país durante o processo de abertura do regime militar, esses grupos se dedicaram à valorização do cinema independente, em contraposição à produção dominante, fortemente controlada pelo Estado. Park e seus colegas compartilhavam os ideais do movimento minjung (as massas, o povo), que reivindicava democracia e o fim do governo militar.

A intersecção entre o cinema e a política marcou não apenas as jornadas de Hirszman e Park, mas as de toda uma geração de cineastas em ambos os países. No Brasil, esse movimento culminou no Cinema Novo, que reuniu figuras como Glauber Rocha, Cacá Diegues e Joaquim Pedro de Andrade. Na Coreia do Sul, deu origem ao Korean New Wave, responsável por renovar a linguagem cinematográfica, ampliar temas e viabilizar um modelo de produção que permitiu a projeção internacional de cineastas sul-coreanos contemporâneos.

 

CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana

 

Horário de funcionamento

Espaços públicos: de segunda a segunda, das 08 às 18h

Salas de cinema: conforme a grade de programação.

Biblioteca: de segunda a sexta, das 10h às 17h, exceto feriados

 

Sala Grande Otelo (210 lugares + 04 assentos para cadeirantes)

Sala Oscarito (104 lugares)Área externa (300 lugares)

Retirada de ingresso 1h antes do início da sessão

 

Quinta-feira, 19 de fevereiro20h sala Grande Otelo Sessão Dupla: Pedreira de São Diogo, de Leon Hirszman e O extraordinário jovem Jeon Tae-il , de Park Kwang-su 

Sexta-feira, 20 de fevereiro17h30 sala Grande Otelo Eles também são como nós , de Park Kwang-su

20h sala Grande Otelo Sessão Dupla: Maioria absoluta e Eles não usam black tie , de Leon Hirszman 

Sábado, 21 de fevereiro20h sala Grande Otelo Chilsu e Mansu, de Park Kwang-su

 

Domingo, 22 de fevereiro15h sala Grande Otelo Quero ir àquela ilha, de Park Kwang-su

17h30 sala Grande Otelo A falecida , de Leon Hirszman 

Quarta-feira, 25 de fevereiro20h sala Grande Otelo Quero ir àquela ilha , de Park Kwang-su

 

Quinta-feira, 26 de fevereiro16h sala Grande Otelo Sessão Curtas em 8mm de Park Kwang-su: Eles também são como nós e A ilha

17h30 sala Grande Otelo Chilsu e Mansu, de Park Kwang-su

20h sala Grande Otelo Garota de Ipanema , de Leon Hirszman

 

Sexta-feira, 27 de fevereiro

15h sala Grande Otelo A rebelião, de Park Kwang-su

17h30 sala Grande Otelo Sessão Dupla: Pedreira de São Diogo e ABC da Greve, de Leon Hirszman

 

Sábado, 28 de fevereiro

15h sala Grande Otelo O admirável jovem Jeon Tae-il\ [A Single Spark] , de Park Kwang-su

17h30 sala Grande Otelo Sessão A música popular por Leon Hirszman: Cantos de trabalho: mutirão (1975); Cantos de trabalho: cacau (1976); Cantos de trabalho: cana-de-açúcar (1976); Nelson Cavaquinho (1969); Partido alto (1976–1982)

20h sala Grande Otelo A rebelião, de Park Kwang-su

 

Domingo, 01 de março

15h  sala Grande Otelo Eles também são como nós , de Park Kwang-su

17h30 sala Grande Otelo São Bernardo, de Leon Hirszman

 

 

SOBRE A CINEMATECA BRASILEIRA 

A Cinemateca Brasileira, maior acervo de filmes da América do Sul e membro pioneiro da Federação Internacional de Arquivo de Filmes – FIAF, foi inaugurada em 1949 como Filmoteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo, tornando-se Cinemateca Brasileira em 1956, sob o comando do seu idealizador, conservador-chefe e diretor Paulo Emílio Sales Gomes. Compõem o cerne da sua missão a preservação das obras audiovisuais brasileiras e a difusão da cultura cinematográfica. Desde 2022, a instituição é gerida pela Sociedade Amigos da Cinemateca, entidade criada em 1962, e que recentemente foi qualificada como Organização Social.

O acervo da Cinemateca Brasileira compreende mais de 60 mil títulos e um vasto acervo documental (textuais, fotográficos e iconográficos) sobre a produção, difusão, exibição, crítica e preservação cinematográfica, além de um patrimônio informacional online dos 120 anos da produção nacional. Alguns recortes de suas coleções, como a Vera Cruz, a Atlântida, obras do período silencioso, além do acervo jornalístico e de telenovelas da TV Tupi de São Paulo, estão disponíveis no Banco de Conteúdos Culturais para acesso público.

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