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Diagnóstico precoce e inovação ampliam chances de cura do câncer em até 90%

O câncer, historicamente associado a desfechos graves, passa por uma mudança consistente de cenário mundial. A combinação entre diagnóstico precoce, terapias-alvo, imunoterapia e cirurgia robótica tem elevado, de forma significativa, as taxas de remissão e cura no Brasil e no mundo. No Dia Mundial do Combate ao Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, os médicos oncologistas do Hospital Santa Lúcia destacam que detectar a doença no início pode significar até 90% de chance de cura em tipos prevalentes, como mama e próstata, por exemplo, além de promover tratamentos menos agressivos e trazer mais qualidade de vida ao paciente.

 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registrou cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2023–2025. Apesar da alta incidência, dados nacionais e internacionais indicam que a detecção em estágios iniciais pode garantir até 90% de chance de cura em cânceres mais comuns. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a sobrevida relativa em cinco anos para a maioria dos cânceres já alcança cerca de 70% em países com programas estruturados de rastreamento — índice que era inferior a 50% na década de 1970.

 

Diagnóstico precoce: quando o tempo é decisivo

 

Em relação ao câncer de mama, por exemplo, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e o INCA indicam que a identificação precoce eleva as chances de cura para até 90%. O mesmo cenário se repete no câncer de próstata: quando diagnosticado no início, o tratamento tende a ser menos invasivo e igualmente eficaz, com altas taxas de controle da doença.

 

Segundo a oncologista Dra. Patrícia Schorn, coordenadora do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS), a precocidade do diagnóstico está diretamente ligada ao sucesso terapêutico. “Tumores menores permitem tratamentos mais direcionados. Hoje conseguimos associar rastreamento adequado a exames moleculares, o que aumenta as taxas de cura e reduz efeitos colaterais”, explica.

 

A médica também destaca que os maiores avanços recentes no câncer de mama estão relacionados à imunoterapia e às terapias-alvo, baseadas na identificação de proteínas específicas de cada subtipo tumoral. “Falamos em diagnóstico e tratamento de precisão. Isso traz mais controle da doença e qualidade de vida. Além disso, a cirurgia da mama evoluiu em termos oncoplásticos, mantendo segurança oncológica. A radioterapia passou a oferecer a mesma dose em menos dias de tratamento”, afirma.

 

Outro fator determinante para os bons resultados é a incorporação de novos medicamentos. Protocolos médicos adotados e incluídos pelo Ministério da Saúde em 2024 e 2025 passaram a incluir drogas como durvalumabe e olaparibe, indicadas para cânceres de pulmão, ovário e colo do útero. Essas terapias-alvo e de imunoterapia têm permitido que pacientes em estágios avançados alcancem estabilização da doença com mais qualidade de vida, cenário antes considerado improvável há uma década.

 

Prevenção e Estilo de Vida: 30% menos riscos

 

Para a oncologista do Hospital Santa Lúcia Gama (HSLG), Dra. Alessandra Leite, a prevenção e o estilo de vida saudável seguem como aliados fundamentais do tratamento. “A prática regular de atividade física reduz a obesidade e pode diminuir o risco de incidência de vários tipos de câncer em mais de 30%. Além disso, o exercício físico reduz efeitos adversos do tratamento oncológico e diminui o risco de recidiva em tumores como mama, próstata e cólon”, ressalta a médica.

 

A especialista aconselha a abolição do tabagismo, a redução do consumo de álcool e a adoção de uma dieta rica em grãos, frutas e verduras. A médica oncologista do HSLG explica ainda que a jornada do paciente no Hospital Santa Lúcia é estruturada de forma interdisciplinar. “O cuidado envolve oncologistas, cirurgiões, radioterapeutas, patologistas, radiologistas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e odontólogos. O paciente é acompanhado de forma integral, com tecnologia de ponta, conforto e humanização em um momento delicado da vida”, afirma Dra. Alessandra.

 

Exames regulares e acompanhamento contínuo


Para o oncologista do Hospital Santa Lúcia Norte (HSLN), da Asa Norte, Dr. Rafael Amaral, o diagnóstico precoce continua sendo o principal fator de cura. “Identificar o câncer em estágios iniciais pode reduzir a mortalidade em até 70% em tumores comuns, como mama e colorretal. No Brasil, o diagnóstico tardio ainda impacta custos e óbitos, enquanto o precoce otimiza recursos e qualidade de vida”, explica.

 

Diretrizes atualizadas do INCA e do Ministério da Saúde indicam exames de rastreamento conforme idade e risco, como teste de DNA-HPV, mamografia, colonoscopia e avaliação individualizada da próstata. A adesão a esses exames pode reduzir em 20% a 30% a incidência de casos avançados.

 

No pós-tratamento, o seguimento regular é essencial. “O acompanhamento contínuo permite identificar recidivas meses antes do surgimento de sintomas e pode aumentar em 30% a 50% as chances de novo sucesso terapêutico em alguns tumores”, afirma Dr. Rafael. Avanços como biópsia líquida e uso de inteligência artificial no diagnóstico já permitem detecção mais precoce de mutações e recorrências, ampliando ainda mais as possibilidades de tratamento personalizado, segundo o especialista.

 

“Estamos utilizando o que há de mais moderno, como a biópsia líquida (ctDNA), que detecta mutações em câncer de pulmão com resultados em apenas dois dias, e a Inteligência Artificial, que elevou a precisão diagnóstica na mama para 90%”, afirma o Dr. Amaral.

 

O especialista ressalta ainda a importância de manter o calendário de rastreamento rigorosamente em dia:

 

·       Mama: Mamografia bienal para mulheres de 40 a 69 anos.

·       Colo do Útero: Teste DNA-HPV a cada 5 anos.

·       Colorretal: Colonoscopia a partir dos 45 anos.

·       Próstata: PSA e toque retal a partir dos 50 anos (ou 45 para grupos de risco).

 

Cirurgia robótica e precisão no tratamento oncológico

 

A cirurgia robótica tornou-se um dos pilares do tratamento moderno do câncer. O Centro de Cirurgia Robótica do Hospital Santa Lúcia, considerado o maior e o mais completo do Centro-Oeste, é referência em cirurgias oncológicas de próstata, rim, ginecológicas e colorretais, entre outros, com atuação integrada em urologia, ginecologia e aparelho digestivo.

 

Um estudo internacional, publicado na renomada revista científica JAMA (Journal of the American Medical Association), em junho de 2025, demonstrou que a cirurgia robótica para câncer de reto reduziu pela metade o risco de recorrência local — 1,6%, contra 4% das técnicas convencionais. No Brasil, o número de plataformas robóticas já ultrapassa 120 unidades, com crescimento anual de 12,5%. O Centro de Cirurgia Robótica do Hospital Santa Lúcia Sul, da Asa Sul, é a unidade que tem o maior número de plataformas de cirurgias robóticas em um mesmo ambiente hospitalar no Distrito Federal e na região Centro-Oeste.

 

“A robótica permite visão tridimensional ampliada, precisão milimétrica e menor trauma cirúrgico. Isso se traduz em menos dor, menos sangramento, menor risco de infecção e recuperação mais rápida para o paciente oncológico”, explica a Dra. Patrícia Schorn. “Em cirurgias oncológicas extensas, reduzir complicações e tempo de internação faz toda a diferença, inclusive para iniciar mais cedo tratamentos complementares, como quimioterapia ou imunoterapia”, afirma.


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